Mostrando postagens com marcador rock and roll. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rock and roll. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de abril de 2011

The Beatles Saga: o início dos Quarrymen

John decidiu formar sua banda de Skiffle e o violão que a mãe lhe comprara naquele ano de 1956 era o passaporte para levar a cabo seus planos. John e o vizinho Eric Ronald Griffiths (nascido no dia 31 de outubro de 1940 em Denbigh, North Wales) começaram a ter noções de violão com Julia Stanley, mãe de John. Só que o que ela ensinava eram acordes de banjo. As primeiras músicas que a dupla aprendeu a tocar foram Maggie Mae (tradicional) e That'll Be The Day de Buddy Holly de quem John era fã incondicional.

Os dois frequentavam a mesma escola, Quarry Bank High School, junto com o amigo de infância de John Peter (Pete) Shotton (nascido em Liverpool em 4 de agosto de 1941). Eles formavam uma gangue, se é que podemos chamar assim, liderada por Lennon. Eles não eram delinquentes juvenis mas eram a típica "turma do fundão" que aprontava com alguns alunos, puxavam o cabelos das meninas, enfim tudo o que estudantes de 15 ou 16 anos faziam. John era míope mas se recusava a usar óculos, temendo ser vítima dos valentões da escola por ter visual de nerd. Sua pose intimista e o olhar desafiador (graças à miopia) faziam com que sempre evitasse ser achincalhado por outros e se impor como líder do grupo. Estava tudo certo sbre suas funções na banda: Eric e John seriam os guitarristas e Pete ficou na tábua de lavar, já que não sabia tocar nenhum instrumento e a mãe concordou em lhe emprestar o apetrecho. Perto do fim daquele ano, Rod Davis (banjo) foi chamado por Eric e Pete convidou outro colega de escola, Bill Smith (baixo de caixa de chá), fechando a formação da banda, que foi batizada por John como The Blackjacks, por causa das jaquetas pretas de teddy boys que o grupo usava.

Em janeiro de 1957, descobriu-se que já tinha na vizinhança uma banda chamada Blackjacks e então tiveram que mudar de nome. Foi quando John e Pete tiveram a ideia de usar The Quarrymen, um trocadilho com a palavra "quarry men" (algo como pedreiros), usando uma estrofe do hino da escola que dizia Quarrymen, old before our birth (os homens de Quarry são velhos antes de seu nascimento). Tudo isso aliado ao fato de que todos eram alunos de Quarry Bank fez com que o novo nome fosse aceito.

Logo nos primeiros meses de vida, a banda teve uma baixa: Bill Smith havia tocado em uns dois shows e nunca estava presente nos ensaios. Resultado: foi limado da banda, levando seu baixo improvisado consigo. Para seu lugar, John chamou um de seus melhores colegas da Quarry Bank, Len Garry. John e Pete conversaram com os pais de Bill Smith e eles concordaram em ceder o instrumento do filho à banda. Em contato com Colin Hanton, um outro colega de Quarry, Eric ficou sabendo que ele havia adquirido um kit de bateria e prontamente o convidou para o grupo. Assim, naquele momento, os Quarrymen estavam completos. Como Len Garry não poderia dispor de tempo integral para atuar na banda, John arrumou dois amigos que poderiam quebrar um galho no baixo de caixa de chá. Eram eles Ivan Vaughan e Nigel Whalley. Este último, além de tocar de vez em quando, fazia as vezes de empresário da banda por ser muito bom de papo. Assim, os Quarrymen foram levando sua vida. Em julho de 1957 aconteceu um encontro que mudaria os rumos da história da música. Mas isso fica para um futuro post.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)

Uma das primeiras fotos dos Quarrymen
(Da esq. p/ dir. Colin, Eric, John, Len, Pete e Rod)

quarta-feira, 30 de março de 2011

As doces Shirelles

Os Girls Groups surgiram nos anos 40 como parte das chamadas Big Bands. No final dos anos 50, com a explosão de grupos de Doo Wop, as mulheres não se fizeram de rogadas e começaram a aparecer grupos femininos desse estilo. Vamos falar de um deles.

The Shirelles surgiu em 1958, tendo sido formado por Shirley Owens Alston Reeves, Doris Coley Kenner Jackson, Addie "Micki" Harris McPherson e Beverly Lee, quatro amigas de Passaic, New Jersey. No início, elas se chamavam The Poquellos e começaram a participar de concursos de talentos em sua escola, cantando à capela uma canção de sua autoria chamada I Met Him on a Sunday. Florence Greenberg. mãe de uma amiga comum do grupo ficou impressionada com sua performance e se tornou sua empresária. O nome do grupo foi mudado para The Shirelles, combinando o nome da vocalista principal Shirley com o nome de um grupo contemporâneo chamado The Chantels.

A música do grupo foi licenciada pela Decca Records e chegou ao Top 50 das paradas. Outros singles chegaram a ser lançados mas Greenberg preferiu criar um selo próprio, Scepter Records, onde o grupo gravou em 1959 o single Dedicated to the One I Love, música que elas aprenderam "de cor" ao verem a performance do grupo The 5 Royales. Nessa época, começaram a trabalhar com o produtor Luther Dixon, que seria o responsável pelo som característico do grupo.

Em 1960, gravaram seu segundo single pela Scepter, Tonight's the Night. Tanto o single anterior como este chegaram ao modesto posto Top 20 e Top 40, respectivamente. No mesmo ano, veio o grande sucesso do grupo, Will You Love Me Tomorrow? (de Goffin & King) que chegou ao primeiro lugar nos EUA nas paradas pop e em segundo na parada de R & B. The Shirelles foi o primeiro grupo vocal feminino a conseguir esse feito, com músicas nos primeiros lugares. Na Inglaterra, elas alcançaram a segunda posição nas paradas britânicas.

Nos três anos seguintes (1961 a 1963), o grupo continuou lançando êxitos. Em 1961, uma reedição de Dedicated to the One I Love chegou ao Top 5 das paradas e o single Mama Said conseguiu o mesmo. O single Big John foi mais longe, chegando ao segundo lugar. Em 1962, o single Soldier Boy (composição de Luther Dixon e Florence Greenberg) alcançou o primeiríssimo lugar. Baby It's You (de Burt Bacharach, Mack David e Luther Dixon usando o pseudônimo Barney Williams). Em 1963, o single Foolish Little Girl alcançou o quarto posto das paradas de R & B e o nono posto das paradas pop.

Em 1964, a parceria bem sucedida entre o grupo e seu produtor chegou ao fim ao mesmo tempo em que seus singles sumiram das paradas musicais, especialmente por causa do advento da Beatlemania e consequente Invasão Britânica, a Segunda Onda. Ironicamante, algumas de suas músicas (alguns números obscuros e grandes hits) relembradas através de covers gravados pelas bandas inglesas como os Beatles, como sua Baby It's You e Boys (lado B do grande êxito do grupo Will You Love Me Tomorrow) em seu álbum de estréia Please Please Me (1963) e o Manfred Mann que gravou Sha la la (1964), que foi um de seus grandes hits. Isso sem falar no sucesso alcançado pela banda americana The Mamas & The Papas com sua versão de Dedicated to the One I Love (1965). Após uma disputa judicial ocorrida nesse ano entre o grupo e a gravadora que foi logo resolvido com uma acerto financeiro, elas gravaram algum material para a trilha sonora do clássico dos filmes de comédia It's a Mad, Mad, Mad, Mad World (Deu a Louca no Mundo). Também ajudaram a gravadora Scepter a lançar uma jovem cantora americana chamada Dionne Warwick, que chegou a atuar como substituta de suas componentes Shirley e Doris, cobrindo suas respectivas licenças-maternidade. Ela acabou fazendo muito sucesso e também terá sua história contada aqui no blog.

Em 1967, o grupo fez sua derradeira aparição com o single chamado ironicamente Last Minute Miracle. Um ano depois, tiveram uma baixa: Doris Jackson decidiu sair das Shirelles para se dedicar à sua família. As outras decidiram manter-se juntas como um trio chamado Shirley & The Shirelles e passaram, sem alcançar nenhum sucesso, pelo selo Bell Records e pelas gravadoras United Artists e RCA até 1971.

Na década de 70, apesar de nunca mais terem visitado as paradas de sucesso, elas continuaram atuando no circuito de bandas revival. Em 1973, apareceram no documentário sobre grandes nomes do Rock dos anos 50 e início dos 60 chamado Let the Good Times Roll. Em 1975, a líder Shirley Reeves deixou o grupo para seguir carreira solo ao mesmo tempo que o grupo contava com o retorno de Doris Jackson. Entre 1979 e 1982, Doris deixou novamente o grupo e foi substituída por Louise Bethune.

Em 1982, Doris voltou ao grupo mas  uma das integrantes originais das Shirelles, Micki Harris acabou morrendo devido a um ataque cardíaco durante uma apresentação. Louise acabou sendo sua substituta. Após idas e voltas, em 1983, elas participaram como banda de apoio na versão de Dionne Warwick para seu clássico Will You Love me Tomorrow e na música Get Ride of Him (uma resposta a outro clássico das Shirelles Foolish Little Girl). O grupo finalmente foi desfeito em 1986. Doris começou uma carreira  solo contando com duas integrantes do grupo The Blossoms, Fanita James e Gloria Jones, além da ex-Honey Cone Carolyn Willis que trabalhava de forma ocasional. Beverly também formou seu próprio grupo.

Shirley Reeves, que havia saído do grupo na década anterior, continuou trabalhando com a Scepter Records e seu selo Strawberry, usando seus dois sobrenomes  Alston e Reeves. Ela começou a trabalhar com o selo Prodigal, trabalho paralelo do produtor da Motown Barney Ales. Nesse ano, ela gravou o álbum With a Little Help of My Friends, onde contou com grandes nomes do Doo Wop como Shep & The Limelites, Danny & The Juniors, The Flamingos, Lala Brooks (membro das Crystals) e The Drifters. O sobrinho de Shirley, Gerald Alston, fez parte do conhecido grupo de Soul The Manhattans.

As Shirelles sobreviventes (Shirley, Doris e Beverly) voltaram a se reunir nos anos 90 para um evento em sua escola em Passaic, New Jersey, onde o grupo fora formado. Em 1996, se reuniram de novo para participar de um disco de Bo Diddley, atuando em algumas faixas. Nessa época, elas foram introduzidas no Rock and Roll Hall of Fame.

Doris Colley Kenner Jackson morreu em 2000, aos 58 anos, devido a um câncer de mama e suas companheiras Fanita e Gloria retomaram The Blossoms. Em 2004, o grupo escolhido pela  revista Rolling Stone como um dos 100 melhores artistas de todos os tempos, na 76ª posição e duas músicas das Shirelles foram escolhidas para figurarem na lsita das 500 melhores canções de todos os tempos: Will You Love Me Tomorrow (125ª colocação) e Tonight's the Night (401ª colocação). Sua cidade natal, em homenagem a suas ilustres cidadãs, deu o nome de Shirelles Boulevard ao encontro de algumas vias principais de Passaic.

Beverly Lee tornou-se dona dos direitos sobre o nome do grupo, sendo a única remanescente da formação original. Além de manter o legado do grupo, fazendo apresentações em revivals, ela tem lutado para que sejam implementadas leis para ajudar aos membros veteranos de grupos vocais e artistas do Rock esquecidos.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
Site oficial: http://www.theshirelles.com/

The Shirelles: o grupo feminino que inaugurou a Era do Rock and Roll

sexta-feira, 18 de março de 2011

Barulho de Grilos

A banda foi formada como grupo de acompanhamento para o lendário rocker Buddy Holly (guitarra, vocais) mas sobreviveu à morte de seu destemido líder. Vamos falar de The Crickets. A biografia de Buddy foi postada aqui.

Tudo começou em 1956 quando Buddy Holly um guitarrista e cantor texano (nascido na pequena cidade de Lubbock no dia 7 de setembro de 1936) havia firmado um contrato com a Coral, subsidiária da Decca Records pois o pessoal do selo gostou da performance de Buddy ao fazer a abertura do show de Bill Haley & His Comets em Lubbock.  Para tanto, Buddy procurou recrutar uma banda que pudesse acompahá-lo em tempo integral já que o pessoal que o acompanhava em shows na rádio KDAV e eventos locais não podia dispor desse tempo. Acabou fechando com o baterista Jerry Ivan Allison (nascido em 31 de agosto de 1939 em Hillsboro, Texas) já tocava com Buddy nesse shows ocasionais. O contrabaixista Joseph (Joe B.) Benson Maudlin Jr. (nascido em 8 de julho de 1940 em Lubbock, Texas) e o guitarrista Niki M. Sullivan (nascido em 23 de junho de 1937 em South Gate, California) completaram a formação.

Ao pensar num nome para a banda, o consenso era descartar nomes de pássaros, algo muito comum à época. "Bom, já que pássaros estavam descartados que tal Spiders (aranhas)?", sugeriu um deles. Não, ainda não era isso, mas estavam no caminho. Pensaram em insetos e um deles até levou um livro de estudos de insetos para mais sugestões. Gostaram de Crickets (grilos), insetos barulhentos. E barulho era como os pais consideravam as músicas de seus filhos na época. Uma lenda recorrente, que dizia que o nome da banda foi dado porque haviam grilos incomodando um ensaio deles, surgiu após a exibição do filme Buddy Holly Story em 1979 que conta essa versão.

Em 1956, entrou em cena Norman Petty (nascido em 25 de maio de 1927 em Clovis, Novo México), que conheceu os Crickets durante uma sessão de gravação da banda em seu estúdio. Buddy e ele se tornaram grandes amigos e essa parceria foi muito produtiva para ambos. Astutamente, Petty criou duas denominações para as gravações da banda. Todas aquelas que tinham preponderância dos vocais do líder, ele vendia como Buddy Holly. As gravações com arranjos e overdubs que tinham a colanboração da banda era vendido como The Crickets. Petty, inclusive tinha crédito como coautor em algumas composições da banda.

Os Crickets gravaram seu primeiro álbum batizado The Chirpin' Crickets (1957) que tinha os clássicos That'll Be the Day, Oh Boy, Not Fade Away, You've Got Love, I'm Lookin' for Someone to Love, Maybe Baby, Tell me How e Send me Some Loving (um cover de Little Richard), que gerou uma série de singles que fizeram a fama da banda.

Em 1958, Buddy e os Crickets fizeram a histórica turnê à Inglaterra onde já influenciavam uma geração inteira de futuros músicos. Paul McCartney, que revolucionaria a música com os Beatles e Mick Jagger que lideraria os Rolling Stones foram dois dos muitos espectadores que viram a banda americana atuando.

De volta aos EUA, Buddy começou a discordar da forma como Norman estava produzindo a banda e rompeu com ele. Já que Petty era dono do nome dos Crickets, Buddy deixou a banda, mudando-se para Nova York, onde começou sua bem sucedida carreira solo interrompida após a morte dele em 2 de fevereiro de 1959 num acidente de avião, evento que a posteridade conhece como O Dia em Que a Música Morreu. Nesse ano, contaram com o reforço de Sonny Curtis (nascido no dia 9 de maio de 1937 em Meadow, Texas), um amigo de infância de Buddy que havia tocado com ele antes da formação dos Crickets e em algumas sessões de gravação da banda. Gravaram a composição de Curtis I Fought the Law, que fez sucesso em 1965 com a banda Bob Fuller Four.

Apesar da saída de seu líder e mentor, os Crickets continuaram atuando agora tendo como frontman o guitarrista e cantor David Box, nascido em Lubbock e que tinha uma voz muito parecida com a de Buddy. Em 1960, com essa formação, lançaram o álbum In Style with The Crickets, de onde foi extraído o single Don' Cha Know (que tinha no lado B uma composição de Buddy, Peggy Sue Got Married, lançada postumamente)

Em 1962, lançaram o single Don't Ever Change (composição de Goffin & King) que foi um grande sucesso sobretudo na Inglaterra onde chegou ao Top 5 das paradas britânicas. Nesse ano, gravaram como banda de apoio ao cantor Bob Vee no álbum Bob Vee Meets The Crickets.Em 1963, veio o álbum Something Old, Something New e em 1964 os álbuns The Crickets, onde fazem uma homenagem a seus discípulos, os Beatles tocando grandes sucessos dos Fab 4 como I Want to Hold Your Hand, She Loves You, From Me to You e Please Please Me. Nesse ano, nova tragédia se abateu sobre o grupo: David Box, substituto de Buddy Holly morreu também num acidente de avião. Em 1965,  lançaram um álbum chamado A Collection, com um interssante cover de La Bamba de Ritchie Valens. Do final da década de 60 em diante, os Crickets fizeram aparições em discos de outros artitas até o fim da banda em 1971. Em 1975,  trio se reuniu acompanhando o guitarrista Albert Lee num tributo a Buddy Holly no álbum Live at Lubbock e se tornaram figuras constantes no evento criado por Paul McCartney, que tem acontecido anualmentedesde os anos 70 chamado Buddy Holly Day. Após gravarem com amigos e discípulos o álbum The Crickets & Their Buddies (2004), eles permanecem na ativa até os dias de hoje.

Niki Sullivan, membro fundador dos Crickets faleceu após sofrer uma ataque cardíaco no dia 6 de abril de 2004.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.menziesera.com/people/holly_lps.shtml
The Crickets em três momentos distintos

quarta-feira, 2 de março de 2011

Que rolem as pedras - finale

Em 1968, a banda começou a sair da ressaca colorida do ano anterior marcada pela psicodelia que tomou conta do Rock and Roll. Para o lugar de Oldham, que havia saído no ano anterior, Mick e Keith contataram para a produção dos discos o competente Jimmy Miller, que havia trabalhado com o Spencer Davis Group. O famigerado Allen Klein se tornou o empresário dos Stones. O álbum anterior, embora fosse ousado para uma banda como os Stones não agradou muito aos fãs da banda. Eeles voltaram ao estúdio para coemeçar um novo álbum que acabou resultando, primeiramente no single Jumpin' Jack Flash (lado B Child of the Moon), outro grande clássico stoniano. Beggar's Banquet era a volta dos Stones à sua característica mais rockeira/blueseira. Neste álbum estão a controvertida Sympathy for the Devil, a dylaniana Street Fighting Man [utilizada como single, tendo No Expectations como lado B] e Stray Cat Blues, todos clássicos da banda. Começavam os problemas de Brian com drogas, o que causou um mal estar nos bastidores da gravação. Dizem que Jones se atirou no vício porque se sentia preterido em favor do destaque dado a Mick e Keith e por ter perdido a namorada Anita Pallemberg para Richards. No fim do ano, a banda foi protagonista de um evento que consistia de uma filme mais uma álbum ao vivo chamado Rolling Stones Rock and Roll Circus, onde participaram artistas como John Lennon, Yoko OnoMarianne Faithful, Jethro Tull e Taj Mahal  com direção de Michael Lindsay Hall (que dirigiu também Let It Be dos Beatles no ano seguinte)e que só foi lançado oficialmente uns 28 anos depois [em 1996].

Em 1969, a banda gravou o álbum Let It Bleed, o último com Brian Jones. Devido ao agravamento do problema dele com drogas, a banda chamou o guitarrista Mick Taylor (ex-John Mayall's Bluesbreakers). A participação de Brian no disco foi mínima. Além das composições de praxe de Jagger & Richards como Gimme Shelter, Midnight Rambler You Can't Always Get What You Want (três clássicos stonianos), tinha o cover de Robert Johnson Love In Vain. A situação começou a ficar insustentável e Brian deixou a banda em junho. Um mês depois, foi encontrado morto na piscina de sua casa [teorias conspiratórias sem nenhum fundo de evidências dizem que ele teria sido afogado por Mick e Keith]. Mick Taylor acabou sendo efetivado como membro titular dos Stones. Nesse mesmo ano, a banda lançou o single Honk Tonk Women, outro grande clássico (que teve no lado B You Can't Always Get What You Want). A perda de Brian não seria a única tragédia. Um incidente aconteceu num show da banda em Altamont, San Francisco [que aparece no documentário Gimme Shelter], enquanto tocavam Sympathy For The Devil. Um espectador do show da banda foi esfaqueado por membros da gangue Hell's Angels, que cuidava da segurança do show. Esse tipo de violência num show de Rock causou uma causou grande comoção, num ano em que os jovens fizeram um manifesto à paz em Woodstock.

Em 1970, foi lançado o álbum ao vivo Get Yer Ya Yas Out, o primeiro a contar como Taylor como membro oficial. Nesse ano os Stones romperam com Allen Klein [que nessa altura era empresário deles e dos Beatles] e com a gravadora Decca, criando seu próprio selo Rolling Stones Records, subsidiário da Atlantic Records. Com o fim de seus "rivais", os Beatles, os Stones passaram a reinar soberanos como grande banda de Rock.

Em 1971, a banda lançou o álbum Stick Fingers com os clássicos Brown Sugar, Bitch, Wild Horses e Sister Morphine, seguido dos singles Brown Sugar/Bitch e Wild Horses/Sway.

Em 1972, veio o álbum duplo Exile On Main Street, apresentando as músicas Rocks Off, Tumbling Dice, Ventilator Blues (co-parceria entre Jagger & Richards e Mick Taylor) e os covers Shake Your Hips (Slim Harpo) e Stop Breaking Down (Robert Johnson).

A banda continuou gravando álbuns como Goat Head's Soup (1973) que tinha Do Do Do Do (Heartbreaker) e de onde foi extraído o single Angie (clássico stoniano)/Silver Train; It's Only Rock and Roll (1974) com o clássico homônimo e o cover Ain't Too Proud to Beg (The Temptations), que foi o último álbum com Mick Taylor que saiu da banda cansado da comparação com Brian Jones. A banda começou a procurar um substituto e fizeram testes com Jeff Beck, Peter Framptom, Rory Gallagher e Ronnie Wood, à época guitarrista do The Faces. Este último, em respeito à ligação com sua banda tocou com os Stones na turnê daquele ano e após o fim dos Faces foi efetivado como membro, participando das sessões do álbum Black and Blue (1976).

Com a segunda formação mais conhecida dos fãs (Mick, Keith, Bill, Ron e Charlie) a banda fechou a década de 70 com álbuns como o ao vivo Love You Live (1977), Some Girls (1978) e Emotional Rescue (1980).

Passaram os anos 80 e 90 com grande boatos dando como certo o fim da banda, já que eles já estavam chegando na casa dos 50. Mick e Keith chegaram a se estranhar e sair pro pau literalmente, mas nada a ponto de acabar com a banda. Todos os membros da banda gravaram trabalhos paralelos. Em 1989, eles foram introduizdos no Rock and Roll Hall of Fame. Em 1994, Bill Wyman deixou a banda que decidiu se manter como um quarteto. Nesse ano, começou a turnê do álbum Voodoo Lounge, que trouxe os Stones pela primeira vez ao Brasil (Mick e Keith já estiveram por aqui, anonimamente em 1969).

Em 1997 fazem uma turnê conjunta com Bob Dylan, onde as duas lendas tocam o clássico dylaniano Like a Rolling Stone no clímax dos shows. Essa turnê os brasileiros tiveram o prazer de assisitir pois ela passou pelo país.

Os Stones chegaram ao século XXI com um fôlego de dar inveja a qualquer banda iniciante e manteve sua pegada ousada e rockeira. Em 2006, eles fizeram o histórico show na Praia de Copacabana. Mick foi condecorado Cavaleiro do Império Britânico.

Pois é, caro leitor. Estamos em 2011 e aqueles rumores do fim dos Stones não encontraram eco em lugar nenhum. Será que eles vão nos presentear com uma quarta visita? Só o tempo dirá. Até lá, aumentem o som e dancem, afinal it's only Rock and Roll, but we like it!

Como diz o velho ditado, pedras que rolam não criam limo

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Que rolem as pedras - parte 1

Creio que se o leitor for um stonemaníaco convicto sabe que vou falar de uma das mais longevas bandas do Rock and Roll que por quase cinco décadas tem abalado as estruturas da música. vamos falar de The Rolling Stones, aproveitando o "gancho" de mais um aniversário do saudoso guitarrista e co-fundador da banda, Brian Jones que se estivesse vivo estaria completando 69 anos.

Tudo começou no início dos anos 60 quando Alexis Korner e Cyril Davies abriram um clube em Londres que era o ponto de encontro dos amantes do blues elétrico de Muddy Waters, T-Bone Walker e afins. Execrados pelos puristas do jazz e do Blues mais tradicionais, os dois músicos e sua banda Blues Incorporated tinham no Marquee o seu porto seguro, sua forma de manifestar sua musicalidade. Muitos músicos da cidade iam no clube para eletrizantes jam sessions. Muitas bandas que fizeram história no Rock Britânico dos anos 60 tiveram origem nesses encontros musicais.

Entre os frequentadores assíduos estavam Mick Jagger (vocais, gaita) e Keith Richards (guitarra), grandes amigos de infância que tiveram na música de Chuck Berry um ponto em comum. Ao conhecerem o baixista Dick Taylor começaram a por em prática sua vontade de formar uma banda de Rhythm & Blues. Numa das apresentações do Blues, Inc., conheceram o guitarrista slide  ocasional da banda Brian Jones, que também tocava gaita e sax como ninguém. Conversa vai, birita vem, os quatro descobriram afinidades e decidiram formar uma banda juntos, chamando o pianista da casa Ian Stewart e o baterista Tony Chapman. Começaram a ensaiar juntos e logo estavam tocando no Marquee. faltava um nome para a banda, que foi sugerido por Brian: The Rollin' Stones, em citação a um blues de Muddy Waters. Assim, em algumas apresentações, a banda era conhecida como Micky Jagger & Brian Jones & The Rollin' Stones. Mesmo havendo uma certa incompatibilidade no repertório (Jones e Stewart eram aficcionados pelo genuíno Blues de Chicago e Jagger e Richards seguiam a cartilha de Chuck Berry e Bo Diddley), a banda começou a chamar atenção. Foi aí que Giorgio Gomelski, dono do Crawdaddy contratou abanda para ser residente em seu clube. Ele foi o primeiro empresário da banda. Dick Taylor deixou a banda para se dedicar ao estudo de artes e mais tarde formou outra grande banda britânica, The Pretty Things. Chapman foi outro que saiu para formar sua própria banda [The Preachers que se tornou mais conhecida na história por ser a primeira banda do futuro rockstar britânico Peter Framptom], não antes de apresentar ao grupo Bill Wyman, um baixista veterano que acabou sendo aceito para o lugar de Dick Taylor por um motivo banal: ele tinha dois amplificadores. Uma coisa que poucos sabem sobre Wyman é que ele criou ao acaso o baixo elétrico sem trastes. Para a vaga de Chapman, Mick e Brian chamaram o baterista do Blues Incorporated Charlie Watts, que tinha sido cogitado quando da formação da banda mas devido ao compromisso com o Blues Inc. acabou recusando de início.

Não demorou para a fama dos Rolling Stones (decidiram usar o nome desta forma) correu pela Inglaterra. Foi aí que entrou em cena o secretário de Brian Epstein, o empresário dos Beatles. Andrew Loog Oldham, que cuidava da publicidade dos Fab 4, tinha ouvido falar que o Crawdady havia uma banda com ótimo potencial. Apesar dos tenros 19 anos de idade, Oldham tinha um tino inato para os negócios. Como era menor para as leis britânicas, teve que ter um "testa de ferro" chamado Eric Easton que assinava documentos até que Andrew atingisse a maioridade legal. Ele acabou assinando um contrato com a banda, mesmo sem consultar Gomelski, que não tinha nenhum tipo de contrato formal com os Stones.

Oldham criou uma imagem marginal para os Stones, uma antítese à pose de bons moços dos Beatles, usando o fato de que Brian tinha vários filhos bastardos. Foi nessa época (1963) que os Beatles apesar da fama consolidada eram assíduos frequentadores da cena londrina conheceram seus "rivais" [outro golpe publicitário de Oldham]. Outra providência no novo empresário foi a saída de Ian Stewart como membro efetivo da banda, pois sua imagem não condizia com os Stones [falando no popular: o pianista era muito feio]. Mas poderia atuar como road manager e músico ocasional. Uma espécie de "sexto Stone".

Eles fizeram um teste para a Decca Records e foram contratados [reza a lenda que George Harrison teria aconselhado os executivos da gravadora a não cometerem o mesmo erro do passado ao recusarem os Beatles]. A raposa Oldham tornou-se produtor da banda e fez com que a gravadora aceitasse uma cláusula contratual que permitisse que os Stones utilizassem material de outras gravadoras. Ele queria que o som da banda soasse o mais precário possível, fora da atmosfera clean da Decca.

O primeiro single da banda foi lançado em 1963 e consistia de um cover de Chuck Berry, Come On e no lado B I Want To Be Loved de Willie Dixon, que chegou pertinho do Top 20 britânico.

O segundo single da banda, gravado no mesmo ano, I Wanna Be Your Man foi escrito por ninguém menos que Lennon & McCartney, principais compositores dos Beatles. O lado B foi Stoned, uma composição de Mick e Keith assinada com o pseudônimo Nanker Phelge. Aliás, quanto a este disco cabe uma história história interessante. A música teria sido feita por Paul e oferecida aos Stones, que acharam que ela estava meio incompleta. Enquanto John e Paul andavam com os Stones, os dois completaram a canção, o que deixou Mick e Keith impressionados. Reza a lenda que a parceria Jagger/Richards como compositores nasceu naquele momento. Resumo da ópera: o single chegou perto do Top 10 das paradas. Nos EUA, ela foi lado B do single Nor Fade Away (um cover de Buddy Holly com uma levada bem ao estilo de Bo Diddley).

Continua no próximo post

Tirem as crianças da sala! Chegaram os Rolling Stones!

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

The Coasters e seu som bem-humorado

Vamos falar aqui sobre The Coasters, um dos mais destacados grupos vocais dos anos 50, especializado em Rhythm & Blues e Doo Wop. Sua diferença para outros grupos do gênero era a irreverência e o humor de suas apresentações. Isso sem contar que a maioria de seu repertório era recheado de canções de uma das mais destacadas duplas de compositores do Rock and Roll: Leiber & Stoller.

Tudo começou em 1955 quando Carl Gardner (tenor/vocal principal) e Bobby Nunn (baixo), egressos de um outro grupo vocal chamado The Robins resolveram formar The Coasters, grupo que foi preenchido com as entradas de Billy Guy (barítono), Leon Hughes (segundo tenor) e o guitarrista Adolph Jacobs [era praxe alguns grupos vocais terem um guitarrista ou um baixista como membros fixos]. Os compositores Jerry Leiber e Mike Stoller (que escreveram algumas coisas para Elvis Presley como Hound Dog e Jailhouse Rock) precisavam de um grupo que interpretasse algumas de suas composições para o pequeno selo Lark da Atlantic Records. A parceria entre os Coasters e a dupla Leiber-Stoller rendeu um sucesso nunca visto entre os grupos vocais americanos, pois as histórias contadas nas letras das canções sempre tinham um contexto divertido. O primeiro grande sucesso do grupo com assinatura da dupla foi Smokey Joe's Cafe (1955), que havia sido gravada anteriormente por The Robins. Aí veio Down in Mexico (1956) e o compacto duplo Youngblood [que tem Doc Pomus como coescritor]/Searchin' (1957). Com a mudança deles para Nova York em 1957 (antes eles viviam em Los Angeles), Nunn e Hughes formaram uma dissidência chamada The Coasters, Mark II, sendo substituídos por Will "Dub" Jones e Cornell Gunter. Essa é a formação responsável pelos grandes clássicos do grupo.

Em 1958, gravaram um de seus maiores sucessos Yakety Yak, que contou com a participação do grande saxofonista King Curtis). Em seguida vieram outras pérolas como Charlie Brown, Along Came Jones, Poison Ivy e Little Egypt (que foi cantada por Elvis nos anos 60). Nesse ano, foi a vez do guitarrista Jacobs deixar o grupo. Após alguns anos sem um gruitarrista, os Coasters contrataram Thomas "Curly" Palmer.

Em 1961, Gunter deixou o grupo e foi substituído por Earl "Speedo" Carroll (ex-Cadilacs). Ele também acabou criando sua própria formação de Coasters, chamado The Fabulous Coasters. O contrato de Leiber e Stoller com o selo durou até 1966, mas esles continuaram escrevendo para o grupo. will Jones foi outro a sair do grupo em 1968 e foi substituído por Ronnie Bright (conhecido como o baixo da música Mr. Bass Man de Johnny Cymbal). Quando Billy Guy (responsável pela veia cômica do grupo) estava às voltas com uma carreira solo paralela aos Coasters, o cantor Vernon Harrell (outro ex-Cadilacs) e Jimmy Norman,  um dos produtores do grupo foram chamados para atuar nas performances de palco em diferentes ocasiões. Guy deixou o grupo em definitivo em 1969. Após sua saída, Norman foi "promovido" a membro oficial dos Coasters.

Mesmo não tendo mais os hits acachapantes de antes, The Coasters procuraram sobreviver à transformação musical e cultural dos anos 60. A seu favor, eles tinham o fato de muitos artistas/bandas sessentistas terem sido influenciados pelo grupo. Talvez isso tenha ajudado no sentido de terem se tornado uma banda específica de revival dos anos 50.

Nos anos 70 e 80, vários grupos usavam o nome The Coasters: a formação que tinha Gardner, Speedo, Norman e Bright; The Coasters Mark II de Bobby Nunn e Leon Hughes; World Famous Coasters de Billy Guy e Will Jones e The Fabulous Coasters de Cornell Gunter. Nos anos 80, Speedo deixou os Coasters de Carl Gardner [considerado o legítimo] para se juntar a Vernon Harrell para uma reunião dos Cadilacs originais. As disputas entre as diversas facções dos Coasters continuaram por toda a década, acrescida pela formação que tinha Grady Chapman e Bobby Sheen, egressos da Mark II e membros originais do The Robins e os Coasters de Randy Jones, ex- Fabulous Coasters e Mark II.

Em 1987, The Coasters , através de sua formação "clássica" (Gardner, Guy, Jones e Gunter) foram introduzidos no Rock and Roll Hall of Fame, sendo um dos únicos grupos do gênero a ter tal honraria.

Nos anos 90, Carl Gardner ajudou a escrever o premiado musical da Broadway Smokey Joe's Cafe com diversas músicas de Leiber & Stoller interpretadas pelos Coasters.

No final dos anos 90, a formação dos Coasters de Gardner contava com Carl e o antigo colaborador e guitarrista Thomas Palmer mais os novatos Carl Jr., filho de Gardner, que entrou no lugar de Jimmy Norman, Alvin Morse e o ex-World Famous Coasters J.W. Lance.

Com a aposentadoria de Gardner em 2005, o grupo continuou na ativa e foi convertido num quarteto e atualmente conta com Carl. Jr., J.W. Lance, Primo Candelara e Eddie Whitfield, tendo Carl como treinador e mentor e sua esposa Veta Gardner como empresária. Hoje em dia, é o grupo vocal mais antigo em atividade.

O que aconteceu aos outros integrantes do grupo?

Billy Nunn, membro fundador da banda junto com Carl Gardner, faleceu em 1986 de um ataque cardíaco.

Cornell Gunter morreu de forma violenta, vítima após levar um tiro durante uma tentativa de assalto em 1990.

Will "Dub" Jones morreu em 2000, vítima de complicações de diabetes.

Billy Guy faleceu de causas naturais, durante o sono em 2002.

Leon Hughes, o outro membro original da banda ainda vivo continua na ativa, tendo sua própria formação do grupo chamada The Original Coasters.

Passados mais de 60 anos do surgimento dos Coasters é certo afirmar que seu estilo irreverente com ceretza marcou e influenciou gerações de músicos das décadas posteriores. Beatles, Monkees, Hollies, The Who e Free [só para ficarmos nos artistas mais conhecidos] gravaram/interpretaram algum cover do grupo.

Para conhecer mais sobre o grupo, visite sua home page: http://www.angelfire.com/mn/coasters/

Fonte:
http://www.angelfire.com/mn/coasters/
Wikipedia (em inglês)

The Coasters: um dos mais antigos grupos vocais em atividade