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quinta-feira, 7 de abril de 2011

The Beatles Saga: o início dos Quarrymen

John decidiu formar sua banda de Skiffle e o violão que a mãe lhe comprara naquele ano de 1956 era o passaporte para levar a cabo seus planos. John e o vizinho Eric Ronald Griffiths (nascido no dia 31 de outubro de 1940 em Denbigh, North Wales) começaram a ter noções de violão com Julia Stanley, mãe de John. Só que o que ela ensinava eram acordes de banjo. As primeiras músicas que a dupla aprendeu a tocar foram Maggie Mae (tradicional) e That'll Be The Day de Buddy Holly de quem John era fã incondicional.

Os dois frequentavam a mesma escola, Quarry Bank High School, junto com o amigo de infância de John Peter (Pete) Shotton (nascido em Liverpool em 4 de agosto de 1941). Eles formavam uma gangue, se é que podemos chamar assim, liderada por Lennon. Eles não eram delinquentes juvenis mas eram a típica "turma do fundão" que aprontava com alguns alunos, puxavam o cabelos das meninas, enfim tudo o que estudantes de 15 ou 16 anos faziam. John era míope mas se recusava a usar óculos, temendo ser vítima dos valentões da escola por ter visual de nerd. Sua pose intimista e o olhar desafiador (graças à miopia) faziam com que sempre evitasse ser achincalhado por outros e se impor como líder do grupo. Estava tudo certo sbre suas funções na banda: Eric e John seriam os guitarristas e Pete ficou na tábua de lavar, já que não sabia tocar nenhum instrumento e a mãe concordou em lhe emprestar o apetrecho. Perto do fim daquele ano, Rod Davis (banjo) foi chamado por Eric e Pete convidou outro colega de escola, Bill Smith (baixo de caixa de chá), fechando a formação da banda, que foi batizada por John como The Blackjacks, por causa das jaquetas pretas de teddy boys que o grupo usava.

Em janeiro de 1957, descobriu-se que já tinha na vizinhança uma banda chamada Blackjacks e então tiveram que mudar de nome. Foi quando John e Pete tiveram a ideia de usar The Quarrymen, um trocadilho com a palavra "quarry men" (algo como pedreiros), usando uma estrofe do hino da escola que dizia Quarrymen, old before our birth (os homens de Quarry são velhos antes de seu nascimento). Tudo isso aliado ao fato de que todos eram alunos de Quarry Bank fez com que o novo nome fosse aceito.

Logo nos primeiros meses de vida, a banda teve uma baixa: Bill Smith havia tocado em uns dois shows e nunca estava presente nos ensaios. Resultado: foi limado da banda, levando seu baixo improvisado consigo. Para seu lugar, John chamou um de seus melhores colegas da Quarry Bank, Len Garry. John e Pete conversaram com os pais de Bill Smith e eles concordaram em ceder o instrumento do filho à banda. Em contato com Colin Hanton, um outro colega de Quarry, Eric ficou sabendo que ele havia adquirido um kit de bateria e prontamente o convidou para o grupo. Assim, naquele momento, os Quarrymen estavam completos. Como Len Garry não poderia dispor de tempo integral para atuar na banda, John arrumou dois amigos que poderiam quebrar um galho no baixo de caixa de chá. Eram eles Ivan Vaughan e Nigel Whalley. Este último, além de tocar de vez em quando, fazia as vezes de empresário da banda por ser muito bom de papo. Assim, os Quarrymen foram levando sua vida. Em julho de 1957 aconteceu um encontro que mudaria os rumos da história da música. Mas isso fica para um futuro post.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)

Uma das primeiras fotos dos Quarrymen
(Da esq. p/ dir. Colin, Eric, John, Len, Pete e Rod)

quinta-feira, 24 de março de 2011

The Beatles Saga: Introdução

Dizer que os Beatles são uma referência para qualquer músico na face da Terra é chover no molhado. Além de revolucionar a cultura ocidental os Beatles derrubaram um muro que existia entre o que se convencioava chamar de música erudita e música popular. Contar a história dos Beatles é um trabalho meticuloso e que demanda muito tempo. Por isso, resolvi contar a biografia da melhor banda de todos os tempos em forma de episódios periódicos numa série intitulada The Beatles Saga. Espero que vocês gostem e se houver alguma coisa a acrescentar, estão todos convidados a fazê-lo a partir dos comentários. Será dado o devido crédito.

O ano de 1956 foi importante para o Rock and Roll nos dois lados do Atlântico. Vivia-se a fase mais efervescente da chamada Primeira Onda. Nos EUA, artistas como Elvis Presley e Bill Haley já haviam consolidado uma firme carreira dentro do mercado fonográfico. Na Inglaterra, foi deflagrada uma verdadeira febre musical quando o Lonnie Donegan Skiffle Group gravou  Rock Island Line (composição de Leadbelly. O disco fez um grande sucesso entre os jovens britânicos. Da noite para o dia, forma formadas milhares de bandas

O Skiffle, que virou uma tendência musical forte naquela segunda metade da década de 50, era um estilo de Jazz muito em voga nos anos 20 nos EUA. Primava pelo uso de instrumentos musicais disponíveis (violão, banjo) e artesanais bateria com panelas, baixo de caixa de chá, baixo de bacia, tábua de lavar roupa.

Em Liverpool, um jovem de 15 anos chamado John Winston Lennon (nascido em 9 de outubro de 1940 em Liverpool) não ficou de fora dessa onda. Ao ganhar de presente de aniversário de 16 anos um disco de Elvis Presley (Hound Dog/Don't Be Cruel), decidiu que iria formar uma banda também. No final de 1956, ele já tinha o esboço de um grupo, contando com seu melhor amigo de infância Pete Shotton e uns colegas da escola onde estudava. Começava uma lenda.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.beatlesbible.com/history/
Livro O Jovem Lennon de Jordi Sierra i Fabra (1988)


Alunos e docentes da Quarry Bank High School:
alguém consegue identificar John?


segunda-feira, 7 de março de 2011

O Pai do Rock Britânico

Todo mundo sabe que nos EUA, Bill Haley é considerado o Pai do Rock (e não o diabo, como o Raulzito disse).

Mas e na Inglaterra? A quem poderia ser atribuída essa paternidade? O Rock inglês é um "filhote" do Rock americano, pois os roqueiros britânicos tiveram nos grande heróis do Rock americano, os responsáveis pela Primeira Onda (Elvis, Bill Haley, Buddy Holly, Gene Vincent, Eddie Cochran e outros) sua grande influência. Contudo, foi graças ao pioneirismo de um músico inglês e seus esforços que os grandes nomes do Rock Britânico vieram à tona. Estamos falando de Chris Barber.

Donald Christopher Barber nasceu no dia 17 de abril de 1930 em Welwyn Garden City, Hertfordshire, Inglaterra. Seu pai era estatístico e a mãe diretora de escola. Chris iniciou os estudos seculares na St. Paul School em Londres e o estudo musical na Guildhall School of Music [não há fontes concretas].

Quando tinha apenas 19 anos, Chris formou sua primeira banda de jazz chamada Barber New Orleans Band, onde tocava trombone e contrabaixo. Na década de 50, a Chris Barber Jazz and Rhythm & Blues Band se tornaria uma verdadeira confraria musical. Contou com grandes lendas como Lonnie Donegan (banjo, violão e vocais), Ken Colyer (trumpete), Monty Sunshine (clarineta), Ron Bolden (bateria), Alexis Korner (guitarra elétrica), Jim Bray (baixo), Cyril Davies (harmônica), Pat Halcox (trumpete e vocais) e Otillie Patterson (vocais), que foi sua primeira esposa, além de muitos outros. A banda de Barber foi responsável em acompanhar grandes estrelas do Jazz e do Blues dos EUA como T-Bone Walker, Muddy Waters, Brownie McGee, Sonny Terry, Sister Rosetta Tharpe, Louis Jordan e Sonny Boy Williamson. Apesar de haver uma rivalidade muito grande entre os puristas (apreciadores do Jazz mais tradicional) e os revolucionários aficcionados no som eletrificado do R & B, Chris sempre buscou respeitar a todas as tendências.

Em 1955, formou com Donegan e Bryl Bryden (washboard) a Lonnie Donegan Skiffle Group, onde tocava contrabaixo. Graças a seu hit Rock Island Line, deflagraram nas ilhas britânicas (sobretudo no norte da Inglaterra) uma febre sem igual entre os jovens, que inspirados pelo trio começaram a formar bandas da noite para o dia. Entre os garotos estava um certo John Winston Lennon, de Liverpool, que formou a banda The Quarrymen e seria responsável por uma das maiores revoluções musicais do século XX: The Beatles.

Em 1961, a fim de tornar o som da banda mais próximo do Rhythm & Blues, Barber contou com os préstimos do guitarrista Alexis Korner e do gaitista Cyril Davies que ficaram pouco tempo, indo formar a banda Blues Incorporated em 1962. A partir se seu surgimento, duas frentes do Rock britânico estavam sendo estabelecidas: a Swinging London (que viu surgir grupos como The Rolling Stones, The Animals, The Yardbirds e Screamin' Lord Sutch & The Savages) e o Mersey Beat uma evolução do Skiffle, representado por Beatles, Gerry & The Pacemakers, Brian Poole & The Tremeloes, The Hollies e The Searchers.

Em 1967, o caminho do bandleader e dos 4 Four voltaram a se encontrar quando sua banda gravou Cat Call, uma composição instrumental que Paul McCartney havia feito em 1962 com o nome de Catswalk. Imaginem a honra de Sir Paul ao ver o Pai do Blues britânico gravando uma música de sua autoria.

Nas décadas seguintes, Chris Barber continuou tocando incansavelmente e viu novas gerações de músicos juntando-se às fileiras de sua banda. Até hoje, aos 80 anos, está à frente de sua banda, como se ainda estivesse em seus primeiros anos. Embora até o momento não tenha sido condecorado pela Rainha Elizabeth II com algum título nobiliáquico, Chris tem três gerações que o consideram como grande incentivador e como um verdadeiro pai musical. Agora, você tem mais alguma dúvida sobre a paternidade do Rock britânico?


Para ver algumas coisas da banda de Chris Barber, acesse http://wn.com/Chris_Barber_1954


Fontes:
Wikipedia (em inglês)
http://www.chrisbarber.net/


Chris Barber, o Pai do Rock britânico