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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Os Esquisitos Kinks - finale

Os Kinks entraram nos anos 80 mais incensados do que nunca, sendo uma das principais bandas dos anos 60 ainda ativas, junto com os Rolling Stones e The Who. Para inaugurar a década, um álbum ao vivo, One for the Road  (1980) com músicas de diversas fases da banda. Em 1981, veio o inédito Give the People What They Want que fez os jovens dos anos 80 redescobrirem a banda, granjeando muitos novos fãs. As faixas de destaque são Destroyer (seu primeiro grande hit da década), Around the Dial e Killer Eyes além da faixa título. No fim desse ano e durante todo o ano de 1982, a banda pôs a cara na estrada e fez uma mega turnê, visitando países como Austrália, Japão, Inglaterra e EUA com um supreendente gran finale na cidade de San Bernardino, Califórnia onde tocaram para um público de 205.000 pessoas.

No final de 1982, terminada a turnê, os caras foram descansar, certo? Errado! Entraram em estúdido para gravar o álbum State of Confusion, lançado em 1983, que tinha como destaque para seu clássico Come Dancing, a primeira música dos Kinks a figurar no topo das paradas americanas desde Tired of Waiting for You (1965). Don't Forget to Dance e a faixa título são outros destaques do álbum. Enquanto a banda voltava á crista da onda, Ray estava ás volta com um ambicioso projeto, a trilha sonora do filme Return to Waterloo, onde despontou o hoje famoso ator Tim Roth. Era o primeiro trabalho solo do líder dos Kinks, o que começou a causar tensões com Dave . Falando em problemas, a banda virou um verdadeiro barril de pólvora: o desentendimento dos irmãos Davies, a volta das rixas entre Dave e Mick e o tumultuado fim do relacionamento de Ray com a líder dos Pretenders Chrissie Hynde. Foi nesse clima que lançaram, em 1984, o álbum World of Mouth, de onde foi extraído o single Do it Again que ficou no Top 50 das paradas americanas. A instabilidade entre o guitarrista líder e o baterista dos Kinks fez com que Ray chamasse Bob Henrit (nascido Robert John Henrit em 2 de maio de 1944 em Hertfordshire), que já havia tocado bateria com a banda Argent para as sessões de estúdio. Foi o último trabalho de Avory como Kink. A pedido de Ray, Mick continuou trabalhando para a banda nos bastidores como produtor e contato.

Após um lapso de quase dois anos, os Kinks assinaram com a gravadora MCA nos EUA e a London Records na Inglaterra, onde gravaram o álbum Think Visual, lançado em 1986. Apesar de destaques como Lost and Found and Working at the Factory, o disco não foi bem de vendagens como seu predecessor. Nesse mesmo ano, foi lançada a coletânea dupla Come Dancing with the Kinks cobrindo o período em que eles gravaram na Arista (1977-1983). Três anos depois desse fiasco, lançaram seu segundo álbum ao vivo da década UK Jive que foi outro retumbante fracasso comercial. Eles não conseguiam emplacar mais sucessos porque seus "rivais" Stones e Who chamavam mais atenção da mídia com novos álbuns e peformances elétricas. Ian Gibbons, tecladista de longa permanência, deixou o grupo nesse ano. Para completar a desdita da banda, a gravadora MCA rescindiu o contrato com a banda.

Os Kinks adentraram os anos 90 com o formato original (quatro membros) mas com muitas incertezas pairando no ar. Assinaram com a Columbia Records e passaram quase dois anos gravando o primeiro álbum para a nova casa. Nesse ano de 1990, eles foram introduzidos no Rock and Roll Hall of Fame. Em 1993, saiu finalmente o álbum Phobia, que acabou sendo o último trabalho em estúdio da banda. Em 1994, veio To the Bone, uma compliação de um show recente e sobras de estúdio do último álbum. Este foi o derradeiro álbum da banda. Comercialmente, a banda era um barco furado mas do lado musical, tinham muitos seguidores que lhes pagaram tributo. Bandas do emergente Brit-Pop dos anos 90 como Oasis e Blur listaram os Kinks como influências marcantes. Em 1996, Ray e Dave decidiram que era hora de cada um seguir seu caminho e assim, uma emblemática banda dos anos 60 deixava de existir. Houve um burburinho em 1999 em torno da volta da banda, mas Ray e Dave desmentiram tais notícias. A verdade é que os dois já não se bicavam há muito tempo e não queriam mais tocar juntos.

Os irmãos Davies e os outros ex-Kinks passaram, cada um do seu jeito, a tocar o barco em projetos individuais. Ray gravou o seu álbum solo Storyteller em 1998 e passou a se dedicar a outros trabalhos como Kinks Choral Collection, uma coletânea de músicas dos Kinks gravadas com arranjos corais. Em 2004, ele foi condecorado pela Rainha Elizabeth II com a Ordem do Império Britânico por sua contribuição à música. Em 2010, ele gravou See My Friends, um álbum com colaborações de alguns grandes nomes do Rock como Jon Bon Jovi, Metallica, Jackson Browne e Bruce Springsteen, entre outros, que deverá ser lançado ainda nesse primeiro semestre de 2011. Já Dave lançou Bug, seu primeiro disco solo em 2002, após 35 anos seu single Death of a Clown de 1967 (única música de um disco solo nunca gravado chamado A Hole in the Sock of Dave Davies). Mas desde os anos anos 80, ele gravava discos individuais. Em 2004, Dave teve um acidente vascular cerebral que o deixou incapacitado por dois anos. De 2005 a 2006, iniciou um duro processo de reabilitação e voltou aos palcos em 2007. Fez alguns shows intimistas no ano passado.

Em 1994, os ex-membros dos Kinks, John Dalton (baixo) e John Gosling (teclados) se uniram ao batera fundador dos Kinks Mick Avory e o cantor e guitarrista Dave Clarke (nada a ver com o  baterista e líder da fantástica banda contemporânea dos Kinks, Dave Clark Five)  formaram uma dissidência da banda chamada Kast Off Kinks que tem atuado até o presente em concertos beneficentes e congressos de fãs dos Kinks. Peter Quaife (baixista fundador dos Kinks) e Bob Henrit (último baterista da banda) chegaram a tocar junto com eles. Dalton e Gosling se aposentaram e saíram da banda, sendo substituídos por outros ex-Kinks, Jim Rodford e Ian Gibbons, respectivamente. Peter Quaife, já citado, infelizmente faleceu vítima de câncer em 23 de junho de 2010 [que descanse em paz]. Dias depois, Ray Davies fez um show em Glastonbury e triste com a perda do grande amigo, dedicou-lhe a apresentação.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
The Kinks (foto recente): introdução ao Rock and Roll Hall of Fame
Foto: Getty Images

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Os Esquisitos Kinks - parte 3

Em 1968, a banda lançou o álbum conceitual The Kinks Are the Village Green Preservation Society, considerado um dos 500 discos mais importantes da História do Rock, embora tenha sido um fracasso de vendas por não apresentar singles. A banda levou quase dois anos para elaborá-lo e ele acabou sendo o último trabalho de Pete Quaife na banda.

Na primeira metade de 1969, Pete Quaife informou aos colegas que estava deixando os Kinks, fato que eles não deram muita importância até ver um anúncio da nova banda do baixista, Maple Oak num anúncio da  Melody Maker, Ray tentou demover Pete da ideia de deixar a banda mas não logrou êxito. O jeito foi chamar John Dalton (nascido em 21 de maio de 1943 em Middlesex, Inglaterra), que já havia subsituído Pete este havia sofrido um acidente de carro em 1966.

Com essa mudança no line up mais a adição do tecladista John Gosling (nascido em 6 de fevereiro de 1948 em Devon, Inglaterra), os Kinks gravaram o álbum Arthur (Or the Decline and Fall of the British Empire), cujo conceito é considerado como precursor da Opera Rock, pois do início ao fim conta uma história, embora muitos atribuam tal status à obra prima do The Who Tommy. Na verdade, Ray Davies tencionava produzir a trilha sonora para uma novela televisiva, contando com o auxílio do escritor Julian Mitchell. O personagem da trama era Arthur Morgan, baseado no cunhado de Ray, Arthur Anning. Com o cancelamento do projeto, Ray resolveu transformá-lo num álbum conceitual, muito bem recebido pela crítica britânica e até pela americana. Se destacam no álbum as músicas Shangri-la, Drivin' e Victoria.

Em 1970, os Kinks gravaram o álbum Lola Versus Powerman and the Moneygoround, Part One, também conceitual mas com viés satiríco misturando Hard Rock e Music Hall. Desse álbum é o clássico absoluto da banda Lola, música que fala de um travesti. Além dessa música, destacam-se no disco Get Back in Line, A Long Way From Home, Rats, Powerman e Moneygoround. A banda teve problemas com a BBC em veicular Lola por causa da citação da marca Coca Cola numa frase, razão pela qual tiveram que mudar para Cherry Cola. Outra coisa curiosa é o nome do álbum seguido de "parte um" como se eles fossem lançar subsequentemente uma "parte dois". Isso se deu porque a banda tinha a intenção de lançar o álbum em formato duplo o que acabou não ocorrendo.

Em 1971, o próximo álbum da banda foi Percy, trilha sonora do filme homônimo, que fala de um transplante de pênis (!!). Este disco foi o último da banda na gravadora Pye e tem como destaque as músicas God's Children, Moments e The Way Love Used to Be. Em seguida, eles assinaram com a RCA e gravaram seu primeiro álbum por aquela gravadora Muswell Hillbillies, título que é uma referência a Muswell Hill, subúrbio londrino onde os irmãos Davies cresceram e onde formaram o núcleo de uma banda que daria origem aos Kinks. Ele tem como tema o caos e as tensões da vida moderna. Essa estréia dos Kinks pela RCA foi um dos maiores fiacsos comerciais da banda.

Em 1972, eles gravaram o álbum Everybody's in Show-Biz, o primeiro álbum duplo da banda que teve uma parte gravada em estúdio e a outra ao vivo no Carnegie Hall. A partir desse álbum, Ray Davies inauguraria um estilo mais teatral nde compor nos discos dos Kinks, sempre contando as desventuras dos Rock Stars e do mundo do show-bizz. Destacam-se as músicas Here Comes Yet Another Day, Celluloid Heroes e um cover de um sucesso de Harry Belafonte Banana Boat Song Day O.

Entre 1973 e 1976, Ray e os Kinks entraram de sola no estilo mais levado à teatralidade a partir de álbuns conceituais que não visavam a tendência comercial. Um pouco antes disso, porém, a Reprise Record (responsável pela discografia da banda nos EUA) lançou o disco The Great Lost Kinks Album, cheio de gravações da banda entre 1966 e 1970 que não haviam sido lançadas nos discos correntes. Destaque para Plastic Man, I'm Not Like Everybody Else e Till Death Do Us Part. Nesse ano e no seguinte vieram os álbuns Preserved Act 1 e 2. Em 1975, gravaram os derradeiros álbuns de sua fase teatral Soap Opera e Schoolboys in Disgrace, últimos gravados pela RCA.

A partir de 1977 até o final da década, a banda voltou a gravar álbuns de apelo comercial pela sua nova gravadora Arista. O álbum de estréia na nova casa foi Sleepwalker, com destaque para a faixa título e Mr. Big Man. Pouco antes de finalizar as gravações do novo trabalho, a banda teve uma baixa: o baixista John Dalton resolveu sair dos Kinks. Seu substituto foi Andy Pyle (nascido em 1946), que já havia tocado com as bandas Bloodwin' Pigs e Savoy Brown. Com a adição de Pyle, a banda terminou as gravações saiu em turnê. Em 1978, veio o álbum Misfits (destaque para A Rock and Roll Fantasy e Black Messiah). Durante a turnê, o tecladista Gosling e o novo baixista Pyle deixaram os Kinks, sendo subsituídos por Gordon John Edwards (ex-Pretty Things) e pelo velho colega John Dalton que atendeu ao chamado de Ray para terminar a turnê e algumas faixas do álbum. Para o álbum de 1979, Low Budget, a banda tinha uma nova formação: além dos irmãos Davies e do batera Avory, veio o novato Jim Rodford (nascido no dia 7 de julho de 1941 em Hertfordshire, Inglaterra), baixista que tinha atuado na banda Argent (do ex-Zombies Rod Argent). Para o disco, Ray Davies gravou os teclados. Para a subsequente turnê, a banda contou com o reforço do tecladista Ian Gibbons (que havia formado a banda Life), que acabou sendo efetivado como membro.

Continua no próximo post

The Kinks na turnê do disco Low Budget (1979)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Os Esquisitos Kinks - parte 2

Em 1964, com o advento da Segunda Onda ou Invasão Britânica, os Kinks também participaram da "conquista da América" capitaneada pelos Beatles e Rolling Stones. O quarto single da banda All Day and All of the Night, outro clássico da banda que tinha como lado B I Gotta Move continuou mantendo os Kinks na crista da onda, participando de inúmeros programas televisivos como Ready Steady Go!.

No início de 1965, fizeram uma turnê pela Austrália e Nova Zelândia junto com o Manfred Mann e The Honeycombs. De volta à Inglaterra, gravaram o segundo álbum Kinks-Size que também foi muito bem comercialmente e desfilou no alto das paradas britânicas e americanas. Ali se destacam o clássico kinkiano Tired of Waiting for You (que foi lançado como single, tendo como lado B Come on Now e alcançando ótimas colocações nas paradas) e um cover de Louie Louie, um clássico de Richard Berry & The Pharoahs (que foi um grande sucesso com The Kingsmen) e a já citada All Day and All of the Night. Num show que faziam na Inglaterra, houve um desentendimento sério entre Dave e Mick que começarama discutir e o guitarrista chutou o kit da bateria de Avory que respondeu batendo um prato em sua cabeça. Ao ver o colega desacordado, tamanha foi a violência do golpe, Avory achou que o havia matado. Quando a polícia chegou, para evitar maiores complicações, o baterista e a banda disseram que aquilo fazia parte do Stage Act da banda. A verdade é que o entrevero foi sério pois o guitarrista levou uns 17 pontos na cabeça.

Veio a turnê asiática da banda e o lançamento do terceiro álbum Kinda Kinks que tinha as músicas Got My Feet on the Ground (dos irmãos Davies) e o clássico de Martha & The Vandellas Dancing in the Streets. Só que a banda detestou o resultado final, alterando o disco quando de seu lançamento nos EUA. Na versão americana tinha os clássicos da banda Everybody's Gonna Be Happy (que também foi um bem sucedido single com Who'll Be the Next on the Line como lado B) e Set me Free (outro single com I Need You de lado B).

O álbum Kinkdom foi lançado apenas nos EUA (é o único da discografia da banda exclsivamente lançado lá) por conta da insatisfação d banda com a versão britânica do álbum anterior (a Inglaterra só foi lançado o EP Kwiet Kinks). Os destaques são A Well Respect Man e o flerte com a música indiana de See my Friends, num ano em que os Beatles (com Norwegian Wood), os Rolling Stones (com Paint It Black) e os Yardbirds (Heart Full of Soul) também aderiram à tendência. Depois de alguns problemas com membros da banda (Ray Davies esteve a ponto de ficar com estafa e Pete Quaife sofreu um acidente de carro), o terceiro álbum britânico da banda, também lançado em 1965 foi Kinks Kontroversy com as músicas I'm on a Island, Till the End of the Day e o clássico do Rockabilly com arranjo dos Kinks Milk Cow Blues (já interpretado por Eddie Cochran). Nesse disco, o tarimbado pianista Nicky Hopkins (qua já havia tocado em sessões com Rolling Stones e Jeff Beck) fazia as vezes de 5º membro da banda

Em 1966, a banda lançou seu quarto álbum Face to Face com destaque paras músicas Too Much on My Mind e o clássico Sunny Afternoon, do qual foi extraído um singel bem sucedido (com I'm not Like Everybody Else de lado B) que teve como proeza desbancar o classico dos Beatles Paperback Writer das paradas britânicas (para saber sobre a música, clique aqui). Nesse ano, eles tocaram num especial da rádio BBC (que acabou gerando o álbum The Kinks Live at BBC) e lançaram o single Dead End Street/Big Black Smoke, sendoi a primeira um clássico muito irreverente da banda.

Em 1967,iniciou-se o chamado período dourado da banda com a gravação do álbum Something Else by The Kinks que apresenta seu clássico Waterloo Sunset (também lançada como single, tendo por lado B a música Act Nice and Gentle [na versão britânica]). Como a grande maioria das bandas nos dois lados do Atlântico, os Kinks começaram a trabalhar com músicas mais conceituais ao invés de coisas pop que os caracterizavam até o ano anterior. Além da já citada Waterloo Sunset, o álbum tem ótimas músicas como Death of a Clown (que foi lançada nos EUA como um single solo de Dave Davies), Tin Soldier Man e Lazy Old Sun. O álbum tem a presença de Nicky Hopkins e a esposa de Ray Rasa Davies nos backing vocals. É desse ano o clássico dos Kinks Autumn Almanac (com Mr. Pleasant como lado B).

Continua no próximo post


The Kinks: desbancando os Beatles das paradas


quarta-feira, 6 de abril de 2011

O Rebelde e a sua causa

Se estivesse vivo, ele estaria completando na última segunda feira, dia 4 de abril seu 53º aniversário. Rebelde, poeta, contestador são só algumas palavras usadas para descrevê-lo. Hoje vamos falar da voz de uma geração. Viva Cazuza!

Agenor de Miranda Araújo Neto nasceu no Rio de Janeiro no dia 4 de abril de 1958, filho de João Araújo, divulgador da gravadora Emi Odeon e de Lucinha Araújo. Seu apelido foi dado pela mãe desde que ela soube que estava grávida de um menino. É o nome dado a uma espécie de vespa e também o personagem central de um livro de mesmo nome do grande escritor Viriato Correa, contando suas histórias de infância.Seu nome de batismo foi imposto pela avó, Dona Alice, como homenagem ao avô, o Agenor de Miranda Araújo original. Cazuza nunca gostou de seu nome de batismo. Isso até descobrir que um de seus compositores prediletos, Cartola também se chamava Agenor.

Tendo nascido e crescido em Ipanema, Cazuza frequentava uma escola cara para os padrões de seus pais que não eram ricos mas queriam o melhor para o filho. Como os pais trabalhavam, Cazuza passava os dias com Dona Alice e talvez por ser muito solitário, era um menino muito quieto e comportado. Sua capacidade de compor era precoce. Aos 7 anos, já se aventurava em escrever letras que só a avó conhecia. Entre suas influências estavam Cartola, Dalva de Oliveira, Dolores Duran, Noel Rosa e Lupiscínio Rodrigues, com suas músicas cheias de carga dramática

Quando chegou a adolescência, porém, sua rebeldia começou a aflorar. Fã incondicional de roqueiros da pesada como Rolling Stones, Led Zeppelin, Janis Joplin e Jimi Hendrix, os quais conheceu quando de suas férias em Londres, o jovem vivia na boemia com amigos do Baixo Leblon. "Seo" João tentou colocá-lo nos eixos, chegando a fazer um acordo com ele para que se formasse em alguma coisa. Se fosse aprovado, ganharia um carro. O jovem escolheu estudar Comunicação. Irrequieto que ele só, Cazuza ficou pouco tempo no curso e voltou à sua vida transgressora de jovem roqueiro carioca, mergulhado no mundo regido pelo trinômio sexo, drogas e rock and roll. Metia-se em confusões e lá estava sempre o pai e a mãe sempre livrando-o das barras mais pesadas.

Para evitar mais problemas, o pai arrumou-lhe um trabalho na gravadora Som Livre, onde era presidente. Cazuza estava fazendo 18 anos mas seu espírito ainda estava perturbado. fez diversas coisas na gravadora, estudou fotografia nos EUA, mas ele ainda não estava sossegado. Isso só veio a aocntecer quando ele começou a estudar teatro com Perfeito Fortuna do lendário grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, de onde emergiram futuros nomes da TV e da música como Evandro Mesquita, Regina Casé, Patrícia Travassos e Luiz Fernando Guimarães, entre outros. Não que Cazuza quisesse ser um ator. Cazuza queria cantar e o fez quando concluiu o curso num musical montado por aluo chamado Pára-quedas do Coração. A convivência com grandes nomes da MPB como Elis Regina, Caetano Veloso, Gal Costa, João Gilberto, Novos Baianos, entre outros, que eram amigos de seus pais valeu a pena. Também gostava muito de Rita Lee e até chegou a escrever uma letra que ela musicou.

Em 1981, sua grande chance de encontrar uma turma adequada para suas pretensões veio quando o amigo Leo Jaime, o indicou para uma banda que estava sendo formada na Zona Sul. O próprio Leo havia sido convidado a integrar aquela banda mas seu estilo de cantar não era o ideal. A banda era formada por Roberto Frejat (guitarra), Maurício Barros (teclados), Dé (baixo) e Guto Goffi (bateria). O vocal gritado/vomitado de Cazuza combinou com o som proposto pela banda. Nascia assim, o Barão Vermelho (o nome já existia antes de Cazuza integrar o time). No início, eles faziam alguns covers e quando Cazuza estava bem familiarizado com seus novos amigos, mostrou-lhe suas letras.

Em 1982, a banda chamou a atenção do produtor Ezequiel Neves que ouviu a fita demo dos meninos e gostou. Convenceu o produtor da Sim Livre Guto Graça Melo a gravar um disco da banda mas eles esbarraram num problema: o veto do pai de Cazuza que não queria trabalhar com o filho com receio da pecha de nepotiismo. Depois de algumas conversas, João concordou em gravar o Barão. O primeiro disco chamado simplesmente Barão Vermelho tinha alguns clássicos da banda como Todo Amor que Houver Nesta Vida, Bilhetinho Azul, Down em Mim e Billy Negão. Havia mescla de músicas bem básicas e juvenis e alguns Blues mais contundentes e densos. Apesar da energia do disco, ele teve uma vendagem muito modesta.

Em 1983, veio o segundo álbum Barão Vermelho 2 e a parceria de Cazuza e Frejat ficou mais madura e coesa, dominando quase todo o disco, que tem o clássico do barão Pro Dia Nascer Feliz. A vendagem foi boa e a banda começou a fazer shows. A banda contava com alguns padrinhos de peso como Caetano veloso que apontava Cazuza como o poeta da nova geração e Ney Matogrosso (interesse amoroso do cantor) que ao gravar uma versão de Pro Dia Nascer Feliz abriu o intersse das rádios da época na música do Barão. Até então, eles tinham a pecha de banda maldita.

O estouro da banda veio em 1984 quando eles gravaram seu terceiro álbum Maior Abandonado, cuja faixa título e Por Que que a Gente é Assim? garantiam presença nas paradas. Outra faixa famosa, o clássico da banda, Bete Balanço foi usada no filme homônimo, estrelado por Debora Bloch e Lauro Corona.

Em 1985, começaram alguns desentendimentos internos no Barão por conta da vontade que Cazuza tinha de se dedicar a compor e criar e não ficar seguindo agendas de shows, visto que a banda tinha ssumido inúmeros compromissos. Mesmo assim, fizeram um show impecável no primeiro Rock In Rio, tendo sido uma das bandas mais destacadas daquele festival. Nesse ano também, houve um boom de bandas nacionais criando o advento do Rock Brazil, onde destacaram o Barão, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Titãs. Num show controverso da banda, Cazuza acabou anunciando sua saída do Barão, o que abalou sua amizade com Frejat por anos. Após uma breve parada para tratar uma pneumonia, Cazuza empreendeu seu primeiro vôo solo no álbum Exagerado, lançado no final daquele ano. Além da faixa título, outros destaques eram Codinome Beija Flor e Só as Mães são Felizes que teve problemas com a censura.

Até o final da década de 80, Cazuza foi trabalhando seus discos solo e shows. Em 1986, saiu o segundo álbum Só se For a Dois, o primeiro fora da Som Livre, que havia dissolvido seu cast. Fechou assim com a Polygram, por recomendação do pai. O disco destaca a faixa título e O Nosso Amor  Gente Inventa (Uma Estória Romântica), destaque de uma novela da TV Globo. Em 1987, começou a ter problemas de saúde que o fizeram procurar o médico para um novo exame de HIV já que o primeiro feito em 1985 tinha dado negativo. Ele era bissexual e tinha uma vida muito promíscua e desregrada. Infelizmente, os temores de Cazuza se concretizaram: ele era soropositivo. Começou um tratatamento a bse de AZT nos EUA. De volta ao Brasil em 1988, gravou seu trabalho mais significativo, o álbum Ideologia, com letras políticas profundas, como se pode comprovar na faixa título e Brasil, que se tornou um hino contra a corrupção no país e foi um grande sucesso na voz de Gal Costa. Ainda se destacam o Blues da Piedade e o lirismo de cazuza em Faz Parte do Meu Show, uma homenagem a João Gilberto. Em 1989, veio o álbum ao vivo O Tempo Não Para, com destaque para a faixa título e outras dos discos anteriores. Mesmo sentindo os problemas acarretados pela AIDS, Cazuza mostrou disposição e coragem nunca vistos. Ao invés de se entregar à autopiedade, começou a lutar como podia para se manter vivo, sempre apoiado pela família, sobretudo dona Lucinha, sua mãe. Nesse ano, gravou seu derradeiro álbum Burguesia, onde sua crítica política era muito mais corrosiva a partir da faixa título. Cazuza já estava na fase terminal da doença e gravou as faixas numa cadeira de rodas. Sua voz já não tinha a força que o caracterizava como intéprete.

No primeiro ano da década de 1990, os problemas se agravaram ainda mais e Cazuza foi muitas vezes internado. No dia 7 de julho, o Brasil perdia um de seus jovens mais talentosos e os amantes do Rock brasileiro ficavam órfãos de um de seus grandes intépretes que deixou um acervo de composições considerável, sendo muitas músicas inéditas.

Lucinha Araújo, sua mãe passou a se engajar na luta pela melhora de vida dos portadores do vírus da AIDS e contra a discriminação que muitos deles sofriam através da associação Viva Cazuza. Se houvesse no Brasil um Rock and Roll Hall of Fame, Cazuza com certeza estaria lá ao lado de outro ilustre roqueiro que também tombou vítima da AIDS, Renato Russo.

Fonte:
Wikipedia
http://www.cazuza.com.br/sec_biografia.php?language=pt_BR&page=6


Melhores musicas Cazuza
O irrequieto e rebelde Cazuza em sua melhor fase
Foto: O Globo

quarta-feira, 23 de março de 2011

Lendas do Blues: Pinetop Perkins

A nação de admiradores e intérpretes de Blues está de luto. Morreu na segunda feira, dia 21 de março, um dos últimos grandes representantes da vertente do Mississipi Delta Blues ainda vivos, o agora saudoso Pinetop Perkins.

Joseph Williams "Pinetop" Perkins nasceu no dia 7 de julho de 1913 em Belzoni, Mississipi. Quando começou a tocar, nos idos dos anos 20, seu primeiro instrumento foi a guitarra. No entanto, após uma briga com uma corista em Helena, Arkansas, teve o tendão do braço esquerdo lesionado o que o impediu de tocar o instrumento. Passou então a se dedicar ao piano e começou a tocar em um programa de rádio local chamado King Biscuit Time, sob direção do Bluesman Robert Nighthawk. Lá, ele acompanhava grandes firguras do Blues como Sonny Boy Williamson e a banda de Nighthawk, The Hawks. Continuou trabalhando com Robert até o início dos anos 50, inclusive em algumas turnês. Ele foi o primeiro a ensinar noções de piano a Ike Turner [biografia aqui].

No início da década de 50, juntou-se à banda de Earl Hooker com a qual excursionou por diversos lugares. Parou de viajar para gravar no estúdio de Sam Phillips a música Pine Top's Boogie Woogie de Clarence "Pinetop" Smith (1904-1929), cuja versão original havia sido gravada em 1928 quando Joseph tinha apenas 15 anos. De qualquer forma, isso valeu pelo apelido [Pinetop] que Joseph acabou ganhando por causa dessa música. Sempre presente naquele circuito do Blues, Pinetop largou a música e mudou-se para Illinois.

Em 1968, o velho amigo Earl Hooker conseguiu convencê-lo a voltar à ativa. No ano seguinte, substituiu Otis Spann na banda de Muddy Waters onde ficou até o final da década de 70, quando os músicos que acompanhavam Waters resolveram formar The Legendary Blues Band, que contava com Pinetop (piano), Willie "Big Eyes" Smith (bateria), Louis Meyer (harmônica e guitarra), Calvin "Fuzz" Jones (baixo) e Jerry Portnoy (harmônica). A banda gravou vários discos e serviu como apoio ao legendário John Lee Hooker no filme The Blues Brothers (Os Irmãos Cara de Pau) de 1982. Pinetop é o único da banda a aparecer em evidência no filme mais do que os outros, junto com Hooker. Quem assistiu ao filme deve lembrar daquela cena em que John Lee Hooker clama para si a autoria do clássico Boom Boom (que realmente era uma composição dele) e Pinetop replica dizendo que ele havia feito a música, começando uma "briga". Pinetop e sua turma ainda fariam turnês com alguns discípulos como Bob Dylan, Eric Clapton e os Rolling Stones. Perkins saiu para trabalhar como músico de apoio em outras gravações e em 1988 (quando estava com 75 anos) gravou seu primeiro álbum solo chamado After Hours, cuja turnê contou com feras como Jimmy Rogers e Hubert Sumlin. A banda terminou em 1993.

Em 1992, com fôlego de garoto aos 77 anos, Pinetop gravou diversos grandes temas de Blues no álbum On Top, onde contou com seu velho colega da banda de Muddy Waters e Legendary Blues Band, o gaitista Jerry Portnoy (que não tinha nada de velho, pois era o caçula da banda, tendo nascido em 1943). Em 1998, gravou o álbum Legends ao lado do já citado Hubert Sumlin.

Em 2004, Pinetop estava dirigindo seu carro pelo estado de Indiana quando foi colhido por um trem que deixou o carro em pedaços. Mas o vigoroso pianista, então com 91 anos sofreu ferimentos superficiais. Nessa época, decidiu viver o resto de seus dias em Austin, Texas. Se apresentava informalmente num clube da região. Em 2005, foi premiado com o Grammy Achievement Award, uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra, o que lhe permitiu um lugar no Grammy Hall of Fame. Quatro anos depois, em 2008, recebeu ainda o Grammy como Melhor Álbum Tradicional de Blues por Last of the Great Mississippi Delta Bluesmen: Live In Dallas lançado naquele ano e que contava com músicos entre 89 e 94 anos (Pinetop era o mais velho da banda). Nada mal para alguém que foi testemunha da história do Blues no século 20. A coisa não acaba aí: de 2008 para cá continuou tocando incesantemente e em fevereiro deste ano, Pinetop ganhou outro Grammy de Melhor Álbum Tradicional de Blues por Joined at the Hip (2010), que contou com seu parceiro de Legendary Blues Band Willie "Big Eyes" Smith. Em uma de suas últimas entrevistas, Pinetop teria dito: "Eu não posso tocar piano como eu costumava fazer (...). Peço ao Senhor Deus, por favor, que perdoe-me pelas coisas que eu fiz tentando arranjar uns trocados".

Infelizmente, esse veterano guerreiro havia lutado sua última batalha e agora tem o descanso merecido. Finalizo este post com um versículo bíblico que penso ter tudo a ver com a trajetória de Pinetop Perkins: "Combati o bom combate, terminei a carreira, mantive a fé" (2 Timóteo 4:7).

Fonte:
Wikipedia (em inglês)

Pinetop Perkins (dir.) ao lado do grande amigo
Muddy Waters nos anos 70

quarta-feira, 2 de março de 2011

Que rolem as pedras - finale

Em 1968, a banda começou a sair da ressaca colorida do ano anterior marcada pela psicodelia que tomou conta do Rock and Roll. Para o lugar de Oldham, que havia saído no ano anterior, Mick e Keith contataram para a produção dos discos o competente Jimmy Miller, que havia trabalhado com o Spencer Davis Group. O famigerado Allen Klein se tornou o empresário dos Stones. O álbum anterior, embora fosse ousado para uma banda como os Stones não agradou muito aos fãs da banda. Eeles voltaram ao estúdio para coemeçar um novo álbum que acabou resultando, primeiramente no single Jumpin' Jack Flash (lado B Child of the Moon), outro grande clássico stoniano. Beggar's Banquet era a volta dos Stones à sua característica mais rockeira/blueseira. Neste álbum estão a controvertida Sympathy for the Devil, a dylaniana Street Fighting Man [utilizada como single, tendo No Expectations como lado B] e Stray Cat Blues, todos clássicos da banda. Começavam os problemas de Brian com drogas, o que causou um mal estar nos bastidores da gravação. Dizem que Jones se atirou no vício porque se sentia preterido em favor do destaque dado a Mick e Keith e por ter perdido a namorada Anita Pallemberg para Richards. No fim do ano, a banda foi protagonista de um evento que consistia de uma filme mais uma álbum ao vivo chamado Rolling Stones Rock and Roll Circus, onde participaram artistas como John Lennon, Yoko OnoMarianne Faithful, Jethro Tull e Taj Mahal  com direção de Michael Lindsay Hall (que dirigiu também Let It Be dos Beatles no ano seguinte)e que só foi lançado oficialmente uns 28 anos depois [em 1996].

Em 1969, a banda gravou o álbum Let It Bleed, o último com Brian Jones. Devido ao agravamento do problema dele com drogas, a banda chamou o guitarrista Mick Taylor (ex-John Mayall's Bluesbreakers). A participação de Brian no disco foi mínima. Além das composições de praxe de Jagger & Richards como Gimme Shelter, Midnight Rambler You Can't Always Get What You Want (três clássicos stonianos), tinha o cover de Robert Johnson Love In Vain. A situação começou a ficar insustentável e Brian deixou a banda em junho. Um mês depois, foi encontrado morto na piscina de sua casa [teorias conspiratórias sem nenhum fundo de evidências dizem que ele teria sido afogado por Mick e Keith]. Mick Taylor acabou sendo efetivado como membro titular dos Stones. Nesse mesmo ano, a banda lançou o single Honk Tonk Women, outro grande clássico (que teve no lado B You Can't Always Get What You Want). A perda de Brian não seria a única tragédia. Um incidente aconteceu num show da banda em Altamont, San Francisco [que aparece no documentário Gimme Shelter], enquanto tocavam Sympathy For The Devil. Um espectador do show da banda foi esfaqueado por membros da gangue Hell's Angels, que cuidava da segurança do show. Esse tipo de violência num show de Rock causou uma causou grande comoção, num ano em que os jovens fizeram um manifesto à paz em Woodstock.

Em 1970, foi lançado o álbum ao vivo Get Yer Ya Yas Out, o primeiro a contar como Taylor como membro oficial. Nesse ano os Stones romperam com Allen Klein [que nessa altura era empresário deles e dos Beatles] e com a gravadora Decca, criando seu próprio selo Rolling Stones Records, subsidiário da Atlantic Records. Com o fim de seus "rivais", os Beatles, os Stones passaram a reinar soberanos como grande banda de Rock.

Em 1971, a banda lançou o álbum Stick Fingers com os clássicos Brown Sugar, Bitch, Wild Horses e Sister Morphine, seguido dos singles Brown Sugar/Bitch e Wild Horses/Sway.

Em 1972, veio o álbum duplo Exile On Main Street, apresentando as músicas Rocks Off, Tumbling Dice, Ventilator Blues (co-parceria entre Jagger & Richards e Mick Taylor) e os covers Shake Your Hips (Slim Harpo) e Stop Breaking Down (Robert Johnson).

A banda continuou gravando álbuns como Goat Head's Soup (1973) que tinha Do Do Do Do (Heartbreaker) e de onde foi extraído o single Angie (clássico stoniano)/Silver Train; It's Only Rock and Roll (1974) com o clássico homônimo e o cover Ain't Too Proud to Beg (The Temptations), que foi o último álbum com Mick Taylor que saiu da banda cansado da comparação com Brian Jones. A banda começou a procurar um substituto e fizeram testes com Jeff Beck, Peter Framptom, Rory Gallagher e Ronnie Wood, à época guitarrista do The Faces. Este último, em respeito à ligação com sua banda tocou com os Stones na turnê daquele ano e após o fim dos Faces foi efetivado como membro, participando das sessões do álbum Black and Blue (1976).

Com a segunda formação mais conhecida dos fãs (Mick, Keith, Bill, Ron e Charlie) a banda fechou a década de 70 com álbuns como o ao vivo Love You Live (1977), Some Girls (1978) e Emotional Rescue (1980).

Passaram os anos 80 e 90 com grande boatos dando como certo o fim da banda, já que eles já estavam chegando na casa dos 50. Mick e Keith chegaram a se estranhar e sair pro pau literalmente, mas nada a ponto de acabar com a banda. Todos os membros da banda gravaram trabalhos paralelos. Em 1989, eles foram introduizdos no Rock and Roll Hall of Fame. Em 1994, Bill Wyman deixou a banda que decidiu se manter como um quarteto. Nesse ano, começou a turnê do álbum Voodoo Lounge, que trouxe os Stones pela primeira vez ao Brasil (Mick e Keith já estiveram por aqui, anonimamente em 1969).

Em 1997 fazem uma turnê conjunta com Bob Dylan, onde as duas lendas tocam o clássico dylaniano Like a Rolling Stone no clímax dos shows. Essa turnê os brasileiros tiveram o prazer de assisitir pois ela passou pelo país.

Os Stones chegaram ao século XXI com um fôlego de dar inveja a qualquer banda iniciante e manteve sua pegada ousada e rockeira. Em 2006, eles fizeram o histórico show na Praia de Copacabana. Mick foi condecorado Cavaleiro do Império Britânico.

Pois é, caro leitor. Estamos em 2011 e aqueles rumores do fim dos Stones não encontraram eco em lugar nenhum. Será que eles vão nos presentear com uma quarta visita? Só o tempo dirá. Até lá, aumentem o som e dancem, afinal it's only Rock and Roll, but we like it!

Como diz o velho ditado, pedras que rolam não criam limo

Que rolem as pedras - parte 2

Continuando a saga stoniana, chegamos a 1964 quando os Rolling Stones gravaram seu terceiro single Not Fade Away (um cover de Buddy Holly com levada de Bo Diddley) que teve no seu lado B uma composição de Mick e Keith, Little By Little, usando novamente o pseudônimo Nanker Phelge e contando coma colaboração de Phil Spector. Neste ano, a banda gravou também seu primeiro LP pela Decca Records, The Rolling Stones (nos EUA, o ábum foi lançado com o nome England's Newer Hitmakers). No álbum estão uma miscelânea de estilos que a banda costumava tocar no Marquee e Crawdaddy como os rocks Route 66 (Bob Troup), Carol (Chuck Berry) e Mona (Bo Diddley),: os blues I Just Wanna Make Love To You (Muddy Waters), Honest I Do (Jimmy Reed) e I'm a King Bee (Slim Harpo); peças de soul como Can I Get a Witness (Marvin Gaye) e Walkin' The Dog (Rufus Thomas), além de coisdas próprias como Now I've Got A Witness, Little By Little (assinadas como Nanker Phelge) e Tell Me (a primeira composição de Jagger & Richards ) que figurou no terceiro single da banda (tendo por lado B I Just Wanna Make Love To You.

O álbum foi um grande sucesso na Inglaterra mas a primeira turnê americana dos Stones não foi necessariamente um grande êxito como havia acontecido com os Beatles no advento da Segunda Onda ou Invasão Britânica. Pelos menos a banda pôde conhecer seus heróis e principais influências como Muddy Waters, com quem gravaram algumas coisas no lendário estúdio da Chess Records (de onde saíram Chuck Berry e Bo Diddley). Foi nessas sessões que a banda gravou seu primeiro hit nas paradas britânicas: It's All Over Now (cover de Bobby e Shirley Womack) . Mas os Stones tinham fãs afoitas nos EUA que causaram um rebu quando eles tocaram pela primeira vez no Ed Sullivan Show. Foi durante essa turnê que eles gravaram o álbum 12 X 5 (lançado apenas nos EUA), que a exemplo do primeiro álbum era recheado de covers como a já citada It's All Over Now (Womack & Womack), Around and Around (Chuck Berry), Time Is on My Side (Irma Thomas), If You Need Me (Wilson Pickett), Susie Q (Dale Hawkins) e Under The Boardwalk (The Drifters), além de algumas composições próprias como e Empty Heart (Nanker Phelge), Good Times Bad Times de Jagger & Richards, entre outras, de onde tiraram seu quarto single: It's All Over Now/Good Times Bad Times. Pouco antes de seu retorno à Inglaterra, lançaram seu quinto single americano que tinha Time Is on My Side (Irma Thomas) e Congratulations (Jagger & Richards), ambas extraíadas do 12 X 5. O quinto single britânico consistia de Little Red Rooster de Willie Dixon e Off The Hook (Nanker Phelge).

Em 1965, os Stones gravaram seu segundo álbum britânico, Rolling Stones nº 2 (nos EUA recebeu o nome de Rolling Stones Now!) com covers como Everybody Needs Somebody To Love (de Solomon Burke e que foi um grande sucesso nos anos 80 no filme The Blues Brothers), You Can't Catch Me (Chuck Berry) I Can't Be Satisfied (Muddy Waters) e algumas coisas que haviam sido lançadas no álbum 12 X 5 como Time Is On My Side, Under The Boardwalk e Susie Q. Nessa altura do campeonato, os Stones já estavam consolidados como uma banda de sucesso tanto na Inglaterra quanto nos EUA graças a seus álbuns lançados. Na esteira do nº 2, veio o single Heart Of Stone (música que figurou no álbum americano) que tinha como lado B What A Shame. Pela primeira vez, duas composições de Jagger & Richards preencheram um single da banda.

Veio a segunda turnê americana (onde também chegaram até a Austrália) o single The Last Time (lado B Playing With Fire), primeira canção de Jagger & Richards a alcançar o topo das paradas britânicas. Aí veio o terceiro álbum britânico (quarto na discografia americana) Out of Our Heads que além de covers como She Said Yeah (Larry Williams), Hitchhike (Marvin Gaye) e Good Times (Sam Cooke) trouxe o primeiro grande hit da banda, o que os colocou de vez na História do Rock and Roll: o clássico absoluto de Jagger & Richrds (I Can't Get No) Satisfaction (que faria sucesso como single, tendo por lado B Spider and The Fly). Aí veio o single Get Off of My Cloud (lado B I'm Free) extraído do quinto álbum americano dos Stones December Children, que além das duas canções do sungle tinha uma das mais belas baladas compostas por Jagger & Richards: As Tears Go By [uma resposta a Yesterday dos Beatles?]

No ano de 1966, os Stones gravaram o álbum Aftermath, o primeiro a ter apenas composições de Jagger & Richards . Neste álbum, o estilo vai muito além do Blues e Rhythm & Blues que caracterizou a banda até Out of Our Heads. Aqui a banda introduz a cítara [resposta a Norwegian Wood dos Beatles?] em Mother's Little Helper, dulcimer em Lady Jane (outra famosa balada dos Stones) e marimba em Under My Thumb. Do Lp, vieram singles que estavam quase no topo das paradas inglesas e americanas: 19th Nervous Breakdown (lado B As Tears Go By); em seguida, outro megassucesso dos Stones, clássico incontestavel Paint It Black (lado B Stupid Girl) com Brian Jones tocando cítara; Mother Little Helper (lado B Lady Jane) e Have You Seen Your Mother Baby Standing in the Shadow (lado B Who's DrivingYour Plane), mostrando a banda com um pé no psicodelismo. Fechando o ano, veio o primeiro álbum gravaddo ao vivo pela banda, Got Live If You Want It (lançado apenas nos EUA), que misturava o repertório da banda de 1964 a 1966.

Em 1967, veio o álbum Between the Buttons, a derradeira parceria da banda com Andrew Loog Oldham como produtor e empresário da banda. As música mais conhecidas eram Yesterday's Papers e My Obsession. O álbum enfrentou a concorrência de grandes discos lançados desde a metade de 1966 como Pet Sounds (Beach Boys), Revolver (Beatles) e Blonde On Blonde (Bob Dylan). Veio o single Ruby Tuesday/Let's Spend The Night Together, dois clássicos stonianos. Aliás, essa segunda tem uma história curiosa. Quando os Stones foram se apresentar no Ed Sullivan Show, o apresentador recomendou que eles mudassem o refrão Let's Spend The Night Together (algo como "vamos passar a noite juntos") para Let's Spend Some Time Together ("vamos passar algum tempo juntos"). Mick topou isso, mas a cara de deboche dele cantando o verso alterado é impagável! Depois veio o single We Love You/Dandelion (essa segunda mostra a estreia de Keith como vocalista principal). Nesse mesmo ano, os Stones gravaram seu álbum psicodélico, Their Satanic Majesties Request a exemplo do revolucionário LP Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band dos Beatles. O disco tinha como destaque as músicas 2000 Years Light From Home e In Another Land (primeira e única composição de Bill Wyman a figurar num disco dos Stones). Essa segunda foi lançada como single, tendo por labo B The Lantern. Nessa época, os Stones e os Beatles  colaboraram mutuamente em seus trabalhos: John e Paul participaram dos backing vocals de We Love You, Brian Jones tocou sax na gravação de You Know My Name (Look Up The Number) dos Beatles; na capa do Sgt. Pepper's tinha uma boneca com uma camiseta escrita Welcome Rolling Stones; na contracapa do Majesties tinha os rostos dos Beatles aparecendo muito sutilmente e Mick participou do coro de All You Need Is Love, gravada pelos Fab 4 num especial para a televisão. Em contrapartida, começaram os problemas dos Stones com a lei britânica por conta de drogas e escândalos.

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Rolling Stones: escrevendo seu nome na história

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Que rolem as pedras - parte 1

Creio que se o leitor for um stonemaníaco convicto sabe que vou falar de uma das mais longevas bandas do Rock and Roll que por quase cinco décadas tem abalado as estruturas da música. vamos falar de The Rolling Stones, aproveitando o "gancho" de mais um aniversário do saudoso guitarrista e co-fundador da banda, Brian Jones que se estivesse vivo estaria completando 69 anos.

Tudo começou no início dos anos 60 quando Alexis Korner e Cyril Davies abriram um clube em Londres que era o ponto de encontro dos amantes do blues elétrico de Muddy Waters, T-Bone Walker e afins. Execrados pelos puristas do jazz e do Blues mais tradicionais, os dois músicos e sua banda Blues Incorporated tinham no Marquee o seu porto seguro, sua forma de manifestar sua musicalidade. Muitos músicos da cidade iam no clube para eletrizantes jam sessions. Muitas bandas que fizeram história no Rock Britânico dos anos 60 tiveram origem nesses encontros musicais.

Entre os frequentadores assíduos estavam Mick Jagger (vocais, gaita) e Keith Richards (guitarra), grandes amigos de infância que tiveram na música de Chuck Berry um ponto em comum. Ao conhecerem o baixista Dick Taylor começaram a por em prática sua vontade de formar uma banda de Rhythm & Blues. Numa das apresentações do Blues, Inc., conheceram o guitarrista slide  ocasional da banda Brian Jones, que também tocava gaita e sax como ninguém. Conversa vai, birita vem, os quatro descobriram afinidades e decidiram formar uma banda juntos, chamando o pianista da casa Ian Stewart e o baterista Tony Chapman. Começaram a ensaiar juntos e logo estavam tocando no Marquee. faltava um nome para a banda, que foi sugerido por Brian: The Rollin' Stones, em citação a um blues de Muddy Waters. Assim, em algumas apresentações, a banda era conhecida como Micky Jagger & Brian Jones & The Rollin' Stones. Mesmo havendo uma certa incompatibilidade no repertório (Jones e Stewart eram aficcionados pelo genuíno Blues de Chicago e Jagger e Richards seguiam a cartilha de Chuck Berry e Bo Diddley), a banda começou a chamar atenção. Foi aí que Giorgio Gomelski, dono do Crawdaddy contratou abanda para ser residente em seu clube. Ele foi o primeiro empresário da banda. Dick Taylor deixou a banda para se dedicar ao estudo de artes e mais tarde formou outra grande banda britânica, The Pretty Things. Chapman foi outro que saiu para formar sua própria banda [The Preachers que se tornou mais conhecida na história por ser a primeira banda do futuro rockstar britânico Peter Framptom], não antes de apresentar ao grupo Bill Wyman, um baixista veterano que acabou sendo aceito para o lugar de Dick Taylor por um motivo banal: ele tinha dois amplificadores. Uma coisa que poucos sabem sobre Wyman é que ele criou ao acaso o baixo elétrico sem trastes. Para a vaga de Chapman, Mick e Brian chamaram o baterista do Blues Incorporated Charlie Watts, que tinha sido cogitado quando da formação da banda mas devido ao compromisso com o Blues Inc. acabou recusando de início.

Não demorou para a fama dos Rolling Stones (decidiram usar o nome desta forma) correu pela Inglaterra. Foi aí que entrou em cena o secretário de Brian Epstein, o empresário dos Beatles. Andrew Loog Oldham, que cuidava da publicidade dos Fab 4, tinha ouvido falar que o Crawdady havia uma banda com ótimo potencial. Apesar dos tenros 19 anos de idade, Oldham tinha um tino inato para os negócios. Como era menor para as leis britânicas, teve que ter um "testa de ferro" chamado Eric Easton que assinava documentos até que Andrew atingisse a maioridade legal. Ele acabou assinando um contrato com a banda, mesmo sem consultar Gomelski, que não tinha nenhum tipo de contrato formal com os Stones.

Oldham criou uma imagem marginal para os Stones, uma antítese à pose de bons moços dos Beatles, usando o fato de que Brian tinha vários filhos bastardos. Foi nessa época (1963) que os Beatles apesar da fama consolidada eram assíduos frequentadores da cena londrina conheceram seus "rivais" [outro golpe publicitário de Oldham]. Outra providência no novo empresário foi a saída de Ian Stewart como membro efetivo da banda, pois sua imagem não condizia com os Stones [falando no popular: o pianista era muito feio]. Mas poderia atuar como road manager e músico ocasional. Uma espécie de "sexto Stone".

Eles fizeram um teste para a Decca Records e foram contratados [reza a lenda que George Harrison teria aconselhado os executivos da gravadora a não cometerem o mesmo erro do passado ao recusarem os Beatles]. A raposa Oldham tornou-se produtor da banda e fez com que a gravadora aceitasse uma cláusula contratual que permitisse que os Stones utilizassem material de outras gravadoras. Ele queria que o som da banda soasse o mais precário possível, fora da atmosfera clean da Decca.

O primeiro single da banda foi lançado em 1963 e consistia de um cover de Chuck Berry, Come On e no lado B I Want To Be Loved de Willie Dixon, que chegou pertinho do Top 20 britânico.

O segundo single da banda, gravado no mesmo ano, I Wanna Be Your Man foi escrito por ninguém menos que Lennon & McCartney, principais compositores dos Beatles. O lado B foi Stoned, uma composição de Mick e Keith assinada com o pseudônimo Nanker Phelge. Aliás, quanto a este disco cabe uma história história interessante. A música teria sido feita por Paul e oferecida aos Stones, que acharam que ela estava meio incompleta. Enquanto John e Paul andavam com os Stones, os dois completaram a canção, o que deixou Mick e Keith impressionados. Reza a lenda que a parceria Jagger/Richards como compositores nasceu naquele momento. Resumo da ópera: o single chegou perto do Top 10 das paradas. Nos EUA, ela foi lado B do single Nor Fade Away (um cover de Buddy Holly com uma levada bem ao estilo de Bo Diddley).

Continua no próximo post

Tirem as crianças da sala! Chegaram os Rolling Stones!