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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Dia em que a Música Morreu: Big Bopper

E para terminar essa trilogia, vamos falar sobre o irreverente disc jockey Big Bopper. Para os brasileiros, ele era o menos conhecido dos três rockers que pereceram naquele fatídico dia 3 de fevereiro de 1959. Buddy e Ritchie são os mais lembrados. O primeiro graças à fama de seus seguidores britânicos e americanos e o segundo [isso não é necessariamente uma regra] por causa do filme La Bamba.

Jiles Perry (ou J.P.) Richardson Jr. nasceu no dia 24 de outubro de 1930 e era texano como Buddy. Ele nsceu numa pequena cidade texana chamada Sabine Pass, filho de Jiles Perry e Elise Richardson . Tinha dois irmãos mais novos, Cecil e James. Eram uma família típica do campo que se mudou para Beaumont, Texas onde J.P. iniciou os estudos em 1947. Nos seus tempos de colégio jogava futebol americano no time da escola, sempre na defesa. Tinha também uma banda chamada Johnny Lampson Combo. Mas foi no rádio que nosso heroi começou a se destacar. Ele trabalhou meio tempo na estação de rádio KTRM (hoje KZZB). Em 1949, ele trancou a matrícula para dedicar ao rádio de forma integral. Acabou conhecendo Adrianne Joy Fryou, com quem veio a se casar em 1953 e teve uma filha, Debra Joy. Na rádio, J.P. foi promovido a supervisor de anunciantes.

Ele foi convocado pelo exército americano em 1955 e passou dois anos servindo em Fort Bliss, próximo a El Paso, Texas. Após sua baixa, volaout a Beaumont onde continuou trabalhando na KTRM, onde quebou o recorde de apresentação contínua de um d.j. na estação. Ele ficou no ar durante quase 6 dias.

Com a fama de disc jockey consolidada, J.P. foi descoberto por Harold "Pappy" Daily, um produtor e empresário de música country que conseguiu para Richardson um contrato na Mercury Records. Lá J.P. gravou, em 1958,  Chantily Lace, seu acachapante hit, um verdadeiro clássico do Rock and Roll. no disco, ele usou seu apelido mais famoso: Big Bopper (algo como "Grande Batedor"). Desse sucesso vem um dos bordões mais famosos do Rock: HELLO, BAAABEEEE!!!). Isso começou a demandar inúmeras viagens pelo país para divulgar seu trabalho. J.P. também escreveu algumas canções que se tornaram grandes sucessos póstumos como Running Bear com Johnny Preston e White Lightining com George Jones. Deixou algumas dezenas de compsoições que não tiveram tanto êxito.

Em 1959, juntou-se à trupe da Winter Dance Party que já tinha como artistas principais Buddy Holly, Ritchie Vallens e Dion & The Belmonts. Aí sobreveio a tragédia que gerou esta triste trilogia. Diferente de seus companheiros que, infelizmente não deixaram prole, J.P. deixou dois filhos (a já citada Debra Joy) e Jay Perry Richardson que nasceu dois meses depois que o pai morreu. Hoje Jay Perry responde pelo nome The Big Bopper Jr. Após resolver alguns boatos acerca da morte do pai (haviam dito que Big Bopper poderia ter sido assassinado ou que poderia ter forjado a própria morte), até hoje continua levando ao mundo o legado do pai que só conheceu através de fotos e filmes.

J.P. foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame em 1997.

Termino esta trilogia muito fezli por ter partilhado essas nobres biografias. LONG LIVE  BUDDY, RITCHIE E J.P.!  e obrigado por tudo!

Fonte: wikipedia (em inglês)

HELLOOO BAABEEE!!!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Dia em que a Música Morreu: Ritchie Valens

Na esteira do post anterior, a segunda parte desta triste trilogia, vamos falar sobre a biografia de Ritchie Valens. Não quero fazer aqui um resumo do filme La Bamba, o qual considero muito bom [sou fã, inclusive] mas não tem teor suficiente para que eu possa elaborar o post.
Ricardo "Ritchie"  Esteban Valenzuela Reyes nasceu no pequeno vilarejo de Pacoima em San Fernando Valley, perto de Los Angeles na Califórnia no dia 13 de maio de 1941, filho de Joseph Valenzuela e Conceptión (Connie ou "Concha") Reyes. Ritchie começou a a aprender a tocar violão aos 5 anos (mesmo sendo canhoto) e sempre teve o incentivo dos pais. Ritchie tinha uma irmão mais velho, Roberto "Bob" Morales, de um outro envolvimento de sua mãe e irmãos mais novos (Connie, Irma e Mario). O pai Joe morreu muito cedo, razão pela qual a família teve que morar em acampamentos comunitários. Quando estava no ginásio, aconteceu algo que assombrou Ritchie por muitos anos. Dois aviões se chocaram no ar e alguns amigos morreram atingidos pelos destroços das aeronaves. Ritchie não viu o acidente, pois estava no funeral de seu avô. Mas o fato o deixou muito perturbado, tanto que ele desencolveu medo de andar de avião.
Aos 15, Ritchie conseguiu comprar sua primeira guitarra e fez teste para integrar uma banda local chamada The Silhouettes como guitarrista. Com a saída do líder, ele se tornou o vocalista principal da banda, até chamar a atenção de Bob Keane do selo Del Fi Records, que tinha ouvido rumores sobre um jovem guitarrista em Pacoima e foi lá conferir. Ritchie assinou contrato e fez algumas demos no estúdio da gravadora. Faltava agora mudar o nome dele. Ricardo Valenzuela não seria um nome muito aceito. Aí então foi usado o apelido americano dele e a redução de seu primeiro sobrenome. Ficou Ritchie Valens (apesar dos protestos de Connie, sua mãe). A maioria das demos só seria lançada décadas depois numa coleção chamada Ritchie Valens Lost Tapes. Aí então, ele começou a lançar material mais conhecido como sua Come On Let's Go (em co-parceria com Keane) e Framed (Leiber/Stoller). A primeira acabou se tornando um single de muito sucesso. Na escola, Ritchie conheceu a jovem Donna Ludwig, que veio a se tornar sua namorada. Após uma briga, o jovem músico acabou compondo um clássico dos anos 50: Donna, que se tornou o segundo single de Ritchie. A cançaõ escolhida para o lado B foi La Bamba, uma canção centenária mexicana. Ritchie tinha orgulho de sua ascendência latina e no início foi relutante em concordar. Acabou topando, após umas aulinhas básicas de espanhol com uma tia (Ritchie não conhecia o idioma, só sabia falar em inglês). Resultado: La Bamba, foi um estrondoso sucesso, o que fez com que Ritchie optasse por trancar a matrícula na escola para se dedicar à carreira artística. A única condição: não iria para os locais de shows de avião, só de carro. A princípio, Keane concordou. Ritchie participou do famoso programa American Bandstand de Dick Clark, que foi se cartão de visitas para os EUA, de costa a costa. Houve um show no Havai e o jovem teve que ser convencido a ir de avião. Apreensivo, Ritchie acabou fazendo seu primeiro vôo. Lá ele tocou com Paul Anka e Buddy Holly, de quem ficou muito amigo. De volta ao continente, Ritchie participou de um mega show do DJ Allan Freed junto com uma verdadeira constelação de estrelas do Rock: Chuck Berry, Bo Diddley, Everly Brothers, Duane Eddy, Eddie Cochran e Jackie Wilson. Depois, fez com Chuck Berry e outros o filme Go Johnny Go, sua primeira e única incursão no cinema. No início de 1959, juntou-se à trupe de artistas do Winter Dance Party, que tinha como headlines Buddy Holly, Big Bopper e Dion & The Belmonts. Foi aí que aconteceu a fatalidade: o acidente aéreo que ceifou sua vida e a dos companheiros Holly e Big Bopper, além do piloto que conduzia o avião. Afinal, o temor do jovem guitarrista tinha um fundamento.
Sua morte de forma tão precoce (ele tinha apenas dezessete anos e uma vida inteira pela frente) foi sentida por uma grande legião de admiradores de sua música. Sua mãe e grande incentivadora, Connie faleceu em 1987 e o produtor Bob Keane partiu em 2009. Seu irmão e velho companheiro Bob continua vivo e, junto aos irmãos Connie, Irma e Mario continua a preservar com orgulho, seu legado. Por falar no irmão caçula de Ritchie, Mario Valens, ele tem uma banda de revival chamada Backyard Blues Band [the beat goes on!]. Em 1987, foi filmada a biografia de Ritchie, La Bamba, contando com Lou Diamond Phillips fazendo o papel do músico e Esai Morales como Bob Valenzuela.
Nós, que somos fãs desses grandes artistas , nascidos décadas depois desse trágico evento e que choramos [eu choro] ao assistir La Bamba e The Buddy Holly Story, lamentamos demais uma vida ser ceifada tão nova. Too much too soon.

Eu ia indicar o site http://www.ritchievalens.org/ mas o mesmo parece que foi desativado. É uma grande pena, mas ali tinha muita coisa sobre Ritchie, detalhes que complementariam bem esta biografia. Outro que vale a pena dar uma conferida é http://www.ritchievalens.com/

Ritchie Valens: outra estrela de grande brilho
Créditos:

Wikipedia (em inglês)
http://www.ritchievallens.com/

O Dia em que a Música Morreu: Buddy Holly

O título acima, que faz parte de American Pie, a pungente ode ao Rock and Roll interpretada por Don McClean relembra o fatídico dia 3 de fevereiro de 1959, quando três grandes lendas morreram num acidente de avião. Neste post e nos dois seguintes falaremos de suas notáveis biografias.
Charles Hardin Holley nasceu no dia 7 de setembro de 1936 na cidade de Lubbock no Texas, filho de um casal de cantores de country, Laurence Odell e Ella Pauline Holley. Seus irmãos mais velhos  incentivaram-no a aprender a tocar diversos instrumentos como violão, banjo e guitarra. Aos cinco, Buddy (como sempre foi chamado em família) venceu um concurso de talentos vocais cantando Have You Ever Gone Sailing (Down the River of Memories). Aos 12, aproveitando sua voz de sopranino (que perderia com o avanço da puberdade), ele gravou num gravador caseiro uma canção de Hank Snow chamada My Two Timin' Woman. Em 1952, Buddy conheceu seu grande parceiro Bob Montgomery com quem formou o duo Buddy & Bob que fez um certo sucesso no circuito colegial de Lubbock e em algumas rádios locais. Em 1955, teve a honra de fazer a abertura do show do [então] futuro Rei do Rock Elvis Presley quando da visita dele em Lubbock. Aquilo acabou causando uma grande mudança no garoto com óculos fundo de garrafa (Buddy tinha uma miopia muito aguçada desde a mais tenra infância). Como se não bastasse, no final daquele ano, Buddy ainda faria a abertura para outra lenda do Rock Bill Haley e Seus Cometas. Isso acabou chamando a atenção da Decca Records, gravadora da banda e Buddy foi contratado. O erro de grafia usado pelo pessoal da gravadora para seu sobrenome (Holly), acabou sendo adotado como nome artístico. Surgia assim, Buddy Holly!

O próximo passo foi reunir uma boa banda de acompanhamento. Jerry Allison (bateria), Joe P. Maudlin (baixo) e Nikki Sullivan (guitarra) responderam ao chamado. Jerry e Joe já haviam participado de uma gravação com Buddy. Para nomear o grupo, teve-se a ideia de quebrar o paradigma existente de chamar as bandas com nomes de pássaros. Pensaram em insetos e aí veio The Crickets. Logo de cara, a banda enfrentou uma baixa: o guitarrista Sullivan deixou a banda para se dedicar aos estudos. Mesmo assim, decidiram continuar como trio.

Quando o produtor Norman Petty convidou a banda para uma série de sessões de gravação em seu estúdio situado em Clovis, Novo México em 1957, começou uma sólida parceria que traria grandes sucessos como That'll Be The Day, Not Fade Away, Peggy Sue, Rave On, Maybe Baby e Oh Boy. Em agosto, aconteceu um fato inusitado coma banda. Eles haviam sido contratados para tocar no lendário Apolo Theater, verdadeiro templo da música negra norte-americana. Imagina-se que os produtores acreditavam que um nome como The Crickets só poderia ser de uma banda negra. Agora imaginem o quadro: na plateia, negros amantes de Blues e Rhythm & Blues e no palco uma banda de Rockabilly. Embora não tenham ocorrido protestos mais acalorados, custou muito para aquela plateia exigente aceitar os primeiros brancos a pisarem no Apolo. Os Crickets ainda apareceram em rede nacional no Ed Sullivan Show.

Em 1958, Buddy encontrou aquela que seria o grande amor de sua vida, Maria Elena Santiago, com quem se casou pouco depois (fato que era desconhecido dos fãs até a morte de Holly). Foi nesse ano também que Buddy Holly fez sua histórica turnê à Inglaterra onde ele era simplesmente venerado pelos jovens, dentre os quais, futuras lendas do Rock and Roll (John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Mick Jagger, Allan Clarke, Graham Nash e outros). De volta aos EUA, Buddy rompe a parceria com Petty, insatisfeito com os contratos envolvendo seu nome e o dos Crickets. O empresário ficou com os Crickets e Buddy começou sua carreira solo.

Em 1959, decidiu se juntar a alguns artistas como Ritchie Valens, Big Bopper e Dion & The Belmonts num evento chamado Winter Dance Party. Após um show em Iowa em 2 de fevereiro, o ônibus da trupe quebrou e Buddy alugou um jatinho para levar alguns deles para outro lugar. Como só havia três lugares, fora o do piloto, houve um sorteio entre todos e Buddy, Ritchie e Bopper foram vencedores, deixando o resto do pessoal chateado. Numa brincadeira bem mórbida, Buddy brincou com o músico Waylor Jennings, que fazia parte da comitiva: "espero que esse ônibus congele". Jennings devolveu: "E eu espero que esse maldito avião caia!". Dito e feito: poucas horas após decolar, o avião com os músicos caiu vitimando a todos os tripulantes. Jennings disse num depoimento que a tal piada de mal gosto o assombrou por décadas.

No funeral de Buddy, o casamento do músico veio à tona e a família ficou conhecendo sua esposa grávida de seis meses, Maria Elena. Infelizmente, o fruto de tão belo amor não vingou, pois Maria teve um aborto espontâneo [enquanto escrevo isso, as lágrimas afloram de meus olhos...].

The Crickets continuou atuando como banda e teve diversas alterações em sua formação, vindo a terminar nos anos 70. Nos anos 90, a partir de um evento chamado Buddy Holly Day, seus membros originais voltaram a se reunir e a banda está junta até hoje.

Norman Petty continuou a atuar como empresário mas nunca mais encontrou um parceiro como Buddy Holly. Ele faleceu em 1984.

Nos anos 70, foi feito um filme para TV contando a história de Buddy Holly, The Buddy Holly Story, com Gary Busey no papel de Buddy. Maria Elena se casou novamente e teve três filhos. Hoje é uma avó coruja e é a guardiã de tudo o que se refere ao seu inesquecível amado: sua música, seus direitos, sua imagem. Tudo isso ela alcançou graças a um grande admirador de Buddy Holly como forma de agradecimento por tudo o que ele conquistou como grande artista e ser humano. Seu nome? Paul McCartney.

Para conhecer mais sobre Buddy Holly, visite: http://www.buddyhollyandthecrickets.com/

Buddy Holly, uma estrela que jamais vai deixar de brilhar