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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Fabuloso George Harrison

25 de fevereiro já foi uma data muito feliz para toda a Nação Beatlefan. Nesta data comemorávamos o aniversário do querido George Harrison [ainda comemoramos apesar de sua ausência]. Hoje em dia, ao ver essa data, olhamos para o calendário e suspiramos: "poxa, se George estivesse vivo, estaria fazendo tantos anos". O que fica para todos nós é a recordação de seu alto astral, seu sorriso e sua simplicidade, traços que fazem dele um dos artistas mais admirados do Rock and Roll.

George Harrison nasceu no dia 25 de fevereiro de 1943, filho caçula do casal Harold Hargreaves e Louise French Harrison e neto de irlandeses pelo lado da mãe [sua avó também se chamava Louise]. O casal Harrison teve ao todo 4 crianças: Louise, a mais velha [terceira geração de Louises na família?], Harry e Peter. Harold trabalhava como motorista e a mãe era balconista de loja. No ano em que George nasceu, a Inglaterra , via Liverpool, ainda sofria pesados ataques feitos pela Alemanha de Hitler, sendo que nos anos iniciais da II Guerra era a única potência da europa que não tinha capitulado ante os nazistas. George nasceu e foi criado no nº 12 da Arnold Lane em Wavertree, lugar onde morou até meados de 1950 quando os Harrison mudaram-se para Upton Green25 em Speke.

Estudou na Dovedale High School, onde coincidemente havia estudado John seus primeiros anos. Depois foi para o Liverpool Institute for Boys [hoje mais conhecida como Liverpool Institute for Performing Arts (LIPA)]. A primeira experiência que George teve com o Rock foi quando ouviu aos 12 ou 13 anos o clássico Heartbreak Hotel de Elvis Presley. Em 1956, o rapazinho comprou sua primeira guitarra, uma Egmond. Foi nessa escola que ele veio a conhecer Paul, que era alguns meses mais velho que ele.

Aproveitando a onda do Skiffle que varreu Liverpool e adjacências, George acabou formando uma banda de curtíssima duração chamada The Rebels que contou com seu irmão Peter (guitarra) e o amigo Arthur Kelly (guitarra). Nada mau para um moleque de apenas 14 anos.

Seu amigo Paul começou a fazer lobby para que George entrasse nos Quarrymen. Ao que parece, o líder da banda, John, estava com um pé atrás por ter nos Quarrymen alguém tão novo. O jovem Harrison já tinha ouvido falar das "proezas" de John na Dovedale e passou a admirá-lo como a um irmão mais velho.

Como diz o velho ditado, "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". A insistência de George em seguir os Quarrymen aliado ao fato de Tia Mimi ficar horrorizada com o menino fez com que ele ganhasse uns pontos com John. Perto de fazer seu 15º aniversário, George foi com  John e Paul ao Liverpool Morgue, clube do cantor Allan Caldwell (mais conhecido como Rory Storm). Após tocar Guitar Boogie Shuffle de Bert Weldon e Raunchy de Bill Justis, ele foi finalmente aceito nos Quarrymen mas sua entrada acabou sendo gradativa para não criar problemas para o outro guitarista titular Eric Griffiths. Chegou-se a cogitar de mudar Griffiths para o baixo mas o próprio Eric acabou saindo por conta própria. Os Beatles já contavam com 3 quartos de sua formação.

Quando John e Paul deram uma parada estratégica no início de 1959, George teve carta branca para participar de outra banda. O jovem não se fez de rogado e foi oferecer seus préstimos à banda de Al Caldwell à época chamada The Tornadoes. Ele só não foi aceito na banda porque a mãe de Al achava George muito novinho. Sendo assim, ele acabou sendo aceito numa banda iniciante chamada Les Stewart Quartet. A banda era formada por Les (guitarra), Ken Brown (baixo) e Geoff Skinner (bateria). Após uma briga feia entre Stewart e Brown, que ocasionou a saída do primeiro junto com o batera Skinner, Ken sugeriu a George que chamasse seus amigos John e Paul para completarem a banda para um compromisso no Casbah Club. Puderam usar até o nome Quarrymen. Mesmo sem um baterista, essa temporada no Casbah foi um grande sucesso e acabou até saindo em jornais locais. Ken Brown saiu da banda um pouco depois e no ano seguinte, os Silver Beatles [novo nome da banda], no momento contando com o baixista Stuart Suttcliffe e o baterista Tommy Moore participaram de um teste para ser banda de apoio de Tommy Steele. Embora não tenham passado no teste, o empresário Larry Parnes gostou da banda e contratou-os para tocar com o cantor Johnny Gentle numa turnê pela Escócia. Nestes shows, os Silver Beatles usavam pseudônimos pessoais. George era Carl Harrison (uma homenagem a seu ídolo Carl Perkins).

George participou ativamente de todo o período que marcou a transição dos Beatles de uma mera banda de garagem para o grande fenômeno de massa que eles se tornaram: a viagem a Hamburgo (1960), as primeiras incursões em estúdio (1961), o teste da Decca Records e a saída de Pete Best (1962).

Na fase dourada dos Beatles, no início george se contentava em ter um ou outro número para interpretar em discos e shows, mas influenciado pelos colegas começou a se tornar um grande compositor, brigando pelo direito a ter suas músicas gravadas. O seu jeito às vezes calado era pura fachada já que ele tinha um ótimo senso de humor e era um dos que mais participavam das tiradas da banda [vide o vídeo Beatles US First Visit e os filmes dos fab 4 e tirem suas conclusões].

George conheceu Patty Boyd durante as filmagens do filme A Hard day's Night (1964) e eles vieram a se casar  em 1966. Graças a essa relação, George escreveu suas canções mais românticas.

Durante as filmagens do filme Help! (1965) George começou a se interessar pela cultura oriental, sobretudo a música. Começou a aprender a tocar cítara com Ravi Shankar e foi o responsável pela introdução de um instrumento oriental no Rock.

Em 1968, ele gravou dois trabalhos sem os Beatles, a exemplo do que Paul havia feito dois antes antes: a trilha sonora do filme Wonderwall, onde contou com a banda Remo Four e o experimental Electronic Sounds.

No ano seguinte, George estava no auge de sua veia criativa e chegou a gravar um disco inteiro com suas composições para usar em futuros discos dos Beatles. Além disso, gravou sua melhor composição como Beatle, a bela Something, a segunda canção mais gravada dos Beatles [Nina Simone, Andy Williams, Elvis Presley e Frank Sinatra são só alguns dos artistas que gravaram a música]

Com o fim dos Beatles em 1970, George gravou seu primeiro trabalho solo, o álbum triplo All Things Must Pass, onde ele pôde aproveitar aquelas gravações que tinha feito no ano anterior e que não foram aproveitadas pelos Beatles. O primeiro grande sucesso da carreira solo de George foi uma faixa do disco, a ode dedicada a Deus My Sweet Lord. No meio desse redemonho de acontecimentos, George perde a mãe, vítima de câncer

Em 1971, George organizou um concerto para ajudar as vítimas da pobreza e fome em Bangladesh. Chamou seu velhos colegas Beatles e sua intenção era uma possível volta da banda. Só que o fato de George não querer a participação de Yoko fez com que John declinasse do convite. Paul também não aceitou porque George não quis desistir de um processo movido contra ele. Resumo da ópera: apenas dois Beatles participaram do evento: ele e Ringo. O jeito foi chamar alguns amigos como Leon Russell, Eric Clapton, Bob Dylan, Billy Preston e o Badfinger. O resultado foi o álbum Concert For Bangladesh.

Em 1973, gravou o álbum Living In Material World e o seu casamento com Patty chegou ao fim. É dessa época seu outro grande sucesso Give me Love.

Em 1974, foi a vez da gravação do álbum Dark Horse apesar das críticas crueis dizendo que era um disco pobre com letras pobres, foi muito bem de vendas na Inglaterra e nos EUA.

Depois dos álbuns Extra Texture (1975) e 33 & 1/3 (1976), derradeiros álbuns dele para a Apple Records, foi feita a primeira coletânea de sucessos de George chamada The Best of George Harrison de seu próprio selo Dark Horse.

Em 1978, morreu Harold, o pai de George, vítima de câncer. Apesar da dor da perda do ente querido, George se casou com Olivia Arias, a quem conhecia desde 1974 e que foi sua companheira até o fim de sua vida.
Por conta de seu interesse por corridas de fórmula 1, George veio ao Brasil em 1979 para assistir ao Grande Prêmio em Interlagos. Foi o primeiro Beatle a visitar o país. Ele ficou muito amigo de Emerson Fittipaldi e fã de Nelson Piquet e Ayrton Senna. Outra boa otícia: nasceu Dhani Harrison, o primeiro e único filho de George e Olivia. Nessa época, George criou uma produtora de cinema chamada Hand Made Filmes (que tuha os filmes The Life of Brian do grupo cômico Monty Python e Shangai Surprise estrelando Madonna e seu ex-marido Sean Penn).

Em 1980, um momento trágico: o grande amigo e ex-colega Beatle John foi assassinado em New York, o que acabou fazendo com que George e Paul, brigados desde o fim dos Beatles fizessem as pazes.

Em 1981, George gravou o álbum Somewhere In England, que tem o emocionado tributo ao amigo John, All Those Years Ago, que contou com as participações de Paul e Ringo.

Em 1982, gravou um dos piores [senão o pior] álbuns de sua carreira, o insosso Gone Troppo [o próprio George odiava esse disco]. Depois disso, ficou uns cinco anos sem gravar.

Em 1987, George voltou aos estúdios com o álbum Cloud 9 que emplacou o hit I Got My Mind Set on You (de autoria de Rudy Clark). Outro destaque era a canção When We Was Fab, com referências aos Beatles.

Em 1988, formou com os amigos Bob Dylan, Tom Petty, Jeff Lynne e Roy Orbison a superbanda Travelling Wilburys. No primeiro disco da banda, Travelling Wilburys Vol. 1, George usou o pseudônimo de Nelson Wilbury. No ano seguinte, saiu a segunda coletãnea de George chamada Best of Dark Horse Years.

A década de 90 começou com o segundo álbum dos Travelling Wilburys, apesar da morte de Roy Orbison, que não viveu o sificiente para colher os louros pelo belo trabalho do disco anterior. George e os outros Wilburys cogitaram convidar a lenda do Rock Del Shannon, mas este acabou se suicidando. Neste álbum, chamdo Travelling Wilburys Vol. 3, George usou o codinome Spike Wilbury.

Em 1991, fez uma turnê pelo Japão junto com o amigo Eric Clapton, a segunda desde 1974, cujo registro foi gravado no álbum Live In Japan, lançado em 1992.

Em 1994 reuniu-se aos amigos Paul e Ringo para desenvolver a série Anthology, o documentário definitivo sobre os Beatles que teve três álbuns lançados entre 1995 a 1997.

Depois disso, desapareceu da mídia e em 1999 foi diagnosticado com câncer, doença contra a qual começou uma titânica luta. Como se não bastasse, George foi atacado e esfaqueado por um maluco em sua casa. Graças à coragem de sua querida esposa, George não sofreu nenhum ferimento mais grave.

Em 2001, ele apareceu como músico convidado no álbum Zoom do Electric Light Orchestra do amigo Jeff Lynne, tocou com o amigo Jim Capaldi a versão em inglês da música Anna Julia dos brasileiros Los Hermanos [que sortudos!!!] e gravou sua derradeira música Horse To The Water no programa do amigo Jools Holland junto com o filho Dhani. Nesse ano, George perdeu a batalha contra o câncer e foi-se desta vida em 30 de novembro. Ele tinha 58 anos. O último álbum foi Brainwashed (2002) com destaque para a canção Any Road.

Em 2002, os grandes amigos que fez em vida fizeram um inesquecível tributo Concert For George.

Fica aqui registrada a admiração que temos por George e o nosso muito obrigado por tudo o que aprendemos com ele. God Bless You, George. HAPPY BIRTHDAY TO YOU.

Fonte:
Wikipedia
http://www.beatlesource.com/
http://www.beatlesbible.com/
http://www.thebeatles.com/

Dear George: Happy birthday to you

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Dia em que a Música Morreu: Buddy Holly

O título acima, que faz parte de American Pie, a pungente ode ao Rock and Roll interpretada por Don McClean relembra o fatídico dia 3 de fevereiro de 1959, quando três grandes lendas morreram num acidente de avião. Neste post e nos dois seguintes falaremos de suas notáveis biografias.
Charles Hardin Holley nasceu no dia 7 de setembro de 1936 na cidade de Lubbock no Texas, filho de um casal de cantores de country, Laurence Odell e Ella Pauline Holley. Seus irmãos mais velhos  incentivaram-no a aprender a tocar diversos instrumentos como violão, banjo e guitarra. Aos cinco, Buddy (como sempre foi chamado em família) venceu um concurso de talentos vocais cantando Have You Ever Gone Sailing (Down the River of Memories). Aos 12, aproveitando sua voz de sopranino (que perderia com o avanço da puberdade), ele gravou num gravador caseiro uma canção de Hank Snow chamada My Two Timin' Woman. Em 1952, Buddy conheceu seu grande parceiro Bob Montgomery com quem formou o duo Buddy & Bob que fez um certo sucesso no circuito colegial de Lubbock e em algumas rádios locais. Em 1955, teve a honra de fazer a abertura do show do [então] futuro Rei do Rock Elvis Presley quando da visita dele em Lubbock. Aquilo acabou causando uma grande mudança no garoto com óculos fundo de garrafa (Buddy tinha uma miopia muito aguçada desde a mais tenra infância). Como se não bastasse, no final daquele ano, Buddy ainda faria a abertura para outra lenda do Rock Bill Haley e Seus Cometas. Isso acabou chamando a atenção da Decca Records, gravadora da banda e Buddy foi contratado. O erro de grafia usado pelo pessoal da gravadora para seu sobrenome (Holly), acabou sendo adotado como nome artístico. Surgia assim, Buddy Holly!

O próximo passo foi reunir uma boa banda de acompanhamento. Jerry Allison (bateria), Joe P. Maudlin (baixo) e Nikki Sullivan (guitarra) responderam ao chamado. Jerry e Joe já haviam participado de uma gravação com Buddy. Para nomear o grupo, teve-se a ideia de quebrar o paradigma existente de chamar as bandas com nomes de pássaros. Pensaram em insetos e aí veio The Crickets. Logo de cara, a banda enfrentou uma baixa: o guitarrista Sullivan deixou a banda para se dedicar aos estudos. Mesmo assim, decidiram continuar como trio.

Quando o produtor Norman Petty convidou a banda para uma série de sessões de gravação em seu estúdio situado em Clovis, Novo México em 1957, começou uma sólida parceria que traria grandes sucessos como That'll Be The Day, Not Fade Away, Peggy Sue, Rave On, Maybe Baby e Oh Boy. Em agosto, aconteceu um fato inusitado coma banda. Eles haviam sido contratados para tocar no lendário Apolo Theater, verdadeiro templo da música negra norte-americana. Imagina-se que os produtores acreditavam que um nome como The Crickets só poderia ser de uma banda negra. Agora imaginem o quadro: na plateia, negros amantes de Blues e Rhythm & Blues e no palco uma banda de Rockabilly. Embora não tenham ocorrido protestos mais acalorados, custou muito para aquela plateia exigente aceitar os primeiros brancos a pisarem no Apolo. Os Crickets ainda apareceram em rede nacional no Ed Sullivan Show.

Em 1958, Buddy encontrou aquela que seria o grande amor de sua vida, Maria Elena Santiago, com quem se casou pouco depois (fato que era desconhecido dos fãs até a morte de Holly). Foi nesse ano também que Buddy Holly fez sua histórica turnê à Inglaterra onde ele era simplesmente venerado pelos jovens, dentre os quais, futuras lendas do Rock and Roll (John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Mick Jagger, Allan Clarke, Graham Nash e outros). De volta aos EUA, Buddy rompe a parceria com Petty, insatisfeito com os contratos envolvendo seu nome e o dos Crickets. O empresário ficou com os Crickets e Buddy começou sua carreira solo.

Em 1959, decidiu se juntar a alguns artistas como Ritchie Valens, Big Bopper e Dion & The Belmonts num evento chamado Winter Dance Party. Após um show em Iowa em 2 de fevereiro, o ônibus da trupe quebrou e Buddy alugou um jatinho para levar alguns deles para outro lugar. Como só havia três lugares, fora o do piloto, houve um sorteio entre todos e Buddy, Ritchie e Bopper foram vencedores, deixando o resto do pessoal chateado. Numa brincadeira bem mórbida, Buddy brincou com o músico Waylor Jennings, que fazia parte da comitiva: "espero que esse ônibus congele". Jennings devolveu: "E eu espero que esse maldito avião caia!". Dito e feito: poucas horas após decolar, o avião com os músicos caiu vitimando a todos os tripulantes. Jennings disse num depoimento que a tal piada de mal gosto o assombrou por décadas.

No funeral de Buddy, o casamento do músico veio à tona e a família ficou conhecendo sua esposa grávida de seis meses, Maria Elena. Infelizmente, o fruto de tão belo amor não vingou, pois Maria teve um aborto espontâneo [enquanto escrevo isso, as lágrimas afloram de meus olhos...].

The Crickets continuou atuando como banda e teve diversas alterações em sua formação, vindo a terminar nos anos 70. Nos anos 90, a partir de um evento chamado Buddy Holly Day, seus membros originais voltaram a se reunir e a banda está junta até hoje.

Norman Petty continuou a atuar como empresário mas nunca mais encontrou um parceiro como Buddy Holly. Ele faleceu em 1984.

Nos anos 70, foi feito um filme para TV contando a história de Buddy Holly, The Buddy Holly Story, com Gary Busey no papel de Buddy. Maria Elena se casou novamente e teve três filhos. Hoje é uma avó coruja e é a guardiã de tudo o que se refere ao seu inesquecível amado: sua música, seus direitos, sua imagem. Tudo isso ela alcançou graças a um grande admirador de Buddy Holly como forma de agradecimento por tudo o que ele conquistou como grande artista e ser humano. Seu nome? Paul McCartney.

Para conhecer mais sobre Buddy Holly, visite: http://www.buddyhollyandthecrickets.com/

Buddy Holly, uma estrela que jamais vai deixar de brilhar