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terça-feira, 29 de março de 2011

A Rainha do Soul impera! - finale

Aretha entrava na década de 80 e seu vínvulo com a gravadora Atlantic, onde emplacou muitos sucessos, havia cheagdo ao fim em 1979. Ela assinou com a gravadora Arista onde gravou seu primeiro álbum da década chamado simplesmente Aretha, de onde saiu o single United Together, que chegou ao terceiro lugar no Top 5 das paradas americanas. Destacam-se no disco, também, o clássico de Otis Redding I Can't Turn You Loose e o super-hit dos Doobie Brothers What a Fool Believes. Nesse ano, Aretha participou do filme The Blues Brothers (Os Irmãos Cara de Pau), estrelado pro John Belushi e Dan Aykroid [um clássico daquela década] ao lado de grandes feras do Blues e do Soul como Ray Charles, James Brown, John Lee Hooker, Cab Calloway e Pinetop Perkins. No filme, Aretha fazia a esposa ranzinza do guitarrista da banda Blues Brothers Matt "Guitar" Murphy, que tinha se aposentado do showbizz para abrir uma lanchonete. A interpretação de seu clássico Think é um dos melhores momentos do filme que, de certa forma, apresentou Aretha para uma nova geração. Nesse ano, a sua antiga gravadora Columbia lançou a coletânea Aretha Sings the Blues.

Em 1981, veio seu álbum Love All the Hurt Away que apesar de não ter ido bem de vendas valeu à cantora mais um Grammy em sua  carreira (ela já tinha dois). Destaque para o dueto com George Benson na faixa-título e sua versão para o clássico Hold on I'm Coming do estupendo duo Sam & Dave.

Em 1982, veio o grande sucesso de Aretha na década Jump to It, uma parceria com o cantor e produtor Luther Vandross, álbum que frequentou as paradas de sucessos nos primeiros lugares e valeu à cantora mais um disco de ouro para sua coleção. Destacam-se a faixa-título, a versão de Aretha para It's Your Thing dos Isley Brothers e a composição de Smokey Robinson Just My Daydream. Nessa época, ela se mudou para Los Angeles para cuidar do pai C.L. Franklin, que veio a falecer em 1984, após 5 anos em coma.

Em 1983, nova parceria com Vandross, novo sucesso: o álbum Get it Right que emplacou, como o anterior os primeiros lugares nas paradas, com destaque para a faixa-título e I Wish It Would Rain (da dupla de compositores da Motown Barrett Strong e Norman Whitfield).

Em 1985, após um hiato de 2 anos recuperando-se da perda do pai, Aretha gravou o álbum Who's Zoomin' Who?, grande parceira com o produtor Narada Michael Walden, graças ao qual recebeu seu primeiro Disco de Platina. O disco é puxado pelo sucesso do single Freeway of Love.

Nos anos seguintes da década de 80, Aretha gravou os álbuns Aretha [de novo?] (1986), com destaque para sua versdão para o clássico dos Rolling Stones Jumpin' Jack Flash. Em 1987, veio o terceiro álbum gospel de sua carreira, One Lord, One Faith, One Baptism, onde contou com as irmãs Erma e Carolyn e a grande amiga Mavis Staple (dos Staple Singers). Nesse ano, ela foi introduzida no Rock and Roll Hall of Fame e graduada como Doutora em Musicologia pela Universidade de Detroit. Em 1989, veio o álbum Through the Storm com duetos maravilohosos com Elton John, James Brown, Whitney Houston e The Four Tops.

Nos anos 90, Aretha continuou sendo cultuada como grande diva do Soul. Após gravar um de seus únicos álbuns da década, What You See Is What You Sweat (1991), Aretha cantou, em 1992, para o então presidente americano Bill Clinton na Casa Branca e participou da trilha osnora do filme Malcolm X (estrelado por Denzel Washington), onde cantou a composição de Donny Hathaway Someday We'll All Be Free. Em 1993, veio a trilha sonora dos filmes Sister Act 2-Back to Habit (Mudança de Hábito 2 - Novas Loucuras no Convento), estrelado por Whoopi Goldberg, cuja faixa Deeper Love ficou em evidência nas paradas. Em 1994, sua parceria com o cantor Baby Face nas músicas Honey e Willing to Forgive alcançou o Top 40 das paradas americanas. Em 1995, participou da trilha sonora do filme Waiting to Exhale (Falando de Amor) com a música It Hurts Like Hell. Em 1998, gravou seu segundo álbum da década A Rose Is Still a Rose. Participou do filme Blues Brothers 2000 (Os Irmãos Cara de Pau 2000), repetindo seu papel da primeira película, onde cantou outro clássico Respect. Por essa atuação, Aretha participou  da entrega do Grammy daquele ano, onde faria uma parceria como o grande tenor italiano Luciano Pavarotti, que receberia o Grammy pelo conjunto da obra. Infelizmente, Pavarotti caiu doente e coube a Aretha cantar sozinha o dueto que fariam, a ária Nessun Dorma da ópera Turandot, numa versão bela e surpreendente. Participou do primeiro especial televisivo da série Divas Live junto com cantoras da nova geração como Celine Dion, Gloria Estefan e Shania Twain. Em 1999, ela foi condecorada com a Medallha Nacional de Artes pelo então presidente Clinton.

Na primeira década do século XXI, Aretha participou do Divas Live de 2001 junto com a veterana cantora cubana Celia Cruz e cantoras em evidência na última década como Mary S. Blidge e Nelly Furtado. Em 2003, após um hiato de 5 anos, gravou o álbum So Damn Happy que não foi bem de vendas mas garanitu mais um Grammy para Aretha pela música Wonderful. Foi seu último disco gravado pela Arista após 23 anos. Decidiu ir pelo caminho independente, criando o selo Aretha Franklin Records. Em 2007, gravou o álbum Jewels in the Crown: All Star Duets with the Queen que como o próprio nome diz é repleto de duetos entre a diva e cantores docmo George Michael, Annie Lennox, Elton John, Michael McDonald e até Frank Sinatra (!!!), entre outros. Em 2008, cantou na posse do presidente americano Barack Obama. No ano passado, Aretha nos deu um grande susto: a mídia dizia que ela estava com câncer no pâncreas e estava desenganada e que havia pasado por uma cirurgia em dezembro para a retirada de um tumor. Ela nunca confirmou se teve a doença de fato, mas admitiu que teve problemas de saúde.

Em 2011, nossa Rainha do Soul completou seu 69º aniversário e para maio próximo está marcado o lançamento de seu 38º álbum por seu selo. Além disso, após sua plena recuperação, estão confirmados grandes eventos para comemorar os 50 anos de uma grande carreira. Só posso fazer coro com os fãs dessa maravilhosa cantora dizendo Long Live to the Queen!

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.arethafranklin.com/

Aretha Franklin: a grande diva do Soul chega aos 69 anos
Foto: http://www.mwza.com/aretha-franklin-grammy-awards-2011-tribute/

segunda-feira, 28 de março de 2011

A Rainha do Soul impera! - parte 3

Em 1972, apesar da trágica perda do grande amigo e parceiro, Aretha conseguiu encontrar forças para gravar o álbum Young, Gifted and Black, também muito premiado. O título do álbum nomeia uma das canções gravadas, original de Nina Simone. Podemos destacar também Oh Me Oh My (I'm a Fool for You Baby), sucesso na voz de B.J. Thomas; The Long and Windong Road, um novo encontro com a música dos Beatles; Rock Steady, de autoria própria; I've Been Lovin' You Too Long, do mestre Otis Redding; Didn't I (Blow My Mind this Time), sucesso dos Delfonics; April Fools (Burt Bacharach) e Border Song (Holy Moses) de Elton John e Bernie Taupin. Nesse ano, Aretha gravou Amazing Grace, seu primeiro álbum gospel desde Songs of Faith (1956), o primeiro de sua discografia geral. Além da música-título, ela canta algumas músicas gospel como How I Got Over (Clara Ward), Old Landmark (tradicional), Mary Don't You Weep (Inez Andrews). Também fez um belo medley juntando um gospel, Take My Hand Precious Lord (Dorsey-Frazier) e uma música popular, You've Got a Friend (Carole King) e o clássico de Rodgers & Hammerstein You'll Never Walk Alone (sucesso com Gerry & The Pacemakers). O pai de Aretha, Rev. C.L. Franklin participa do disco. Em 1999, foi lançada uma compilação com as sessões do álbum completas.

Em 1973, foi a vez do álbum Hey Now Hey (The Other Side of the Sky), com produção de Quincy Jones, que apesar do bom reperttório foi um grande fracasso comercial. Destaque para faixa-titulo, uma composição de Aretha e Somewhere do musical West Side Story de Leonard Bernstein.

Em 1974, lançou o álbum Let Me in Your Life, um disco bem sucedido para apagar a má fase do anterior. O sucesso se deveu ao single, homônimo, uma composição de Bill Withers que alcançou altos podtos nas paradas. Destacam-se também a versão de Aretha para o clássico de Leon Russell A Song For You (um successo com The Carpenters), Ain't Nothing Like the Real Thing (Ashford & Simpson) e I'm In Love (Bobby Womack). Em seguida veio o malsucedido With Everything I Feel in Me que apesar de ter ótimos compositores como Burt Bacharach (Don't go Breakin' My Heart, que nada tem a ver com a música, homônima cantada por Elton John & Kiki Dee) e Stevie Wonder (I Love Every Little Thing About You),  ficou aquém das expectativas da gravadora.

Da metade da década de 70 em diante, Aretha experimentou fracassos e perdas tanto na carreira artística como na pessoal. Em 1975, veio o desastroso álbum You. Em 1976, chegou ao fim de sua relação com Ken Cunningham. Veio um pequeno alento com o álbum Sparkle, com produção e composições de Curtis Mayfield, trilha sonora do filme homônimo que chegou ao Top 40 das paradas graças à música Something He Can Feel.  Em 1977, outro fracasso comercial êxito com o álbum Sweet Passion, uma parceria com o premiado compositor Lamont Dozier, cujo single e principal carro-chefe, Break It to Me Gently passou longe do Top 70. Em 1978, o fracssao ainda era uma constante com o álbum Almighty Fire, que teve a pífia vendagem de 100.000 exemplares. Nem a atmosfera Disco Music do álbum, em voga na época o salvou de ser um fiasco. Em 1979, veio o último disco da década de 70, La Diva também foi um fracasso retumbante, mesmo tendo a parceria de Van McCoy, um dos mais proeminentes astros da Disco Music, que acabou falecendo no final daquele ano. Nesse ano, seu pai, C.L. Franklin foi alvejado por tiros após uma tentativa de roubo e ficou anos em estado de coma.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.arethafranklin.com/

Live at Fillmore West: um dos maiores êxitos de Aretha Franklin

sexta-feira, 25 de março de 2011

A Rainha do Soul impera! - parte 1

Geralmente, as biografias deste blog terminam com a data de falecimento das personalidades de quem contamos a história. Neste post, a coisa vai ser diferente pois hoje nossa biografada está completando hoje 69 anos. Happy Birthday, Aretha Franklin!


Aretha Louise Franklin nasceu no dia 25 de março de 1942 em Memphis, Tennessee, filha do grande ministro batista e ativista dos direitos civis C.L. Franklin e Barbara Siggers Franklin, pianista e cantora de gospel contemporânea da maravilhosa Mahalia Jackson, de quem falaremos num futuro post. A menina aprendeu a tocar piano de ouvido e também cantava no coro de sua igreja. Cresceu cercada de grandes nomes do gospel americano como a já citada Mahalia Jackson, Clara Ward  e Albertina Hunter com seu grupo The Caravans. Essas três grandes cantoras foram as influências mais importantes de Aretha. A trágica morte da mãe em 1952 foi uma perda muito sentida. Ainda uma garotinha, Aretha conheceu o  cantor e futuro Pai do Soul Sam Cooke (ver biografia aqui), que ainda estava no grupo vocal The Soul Stirrers e era uma amigo de seu pai. Os dois ficaram muito amigos


Aos 14 anos, ela começou a fazer suas primeiras incursões no meio gospel, gravando e atuando nas comunidades cristãs. Essa faceta da cantora pode ser encontrada no álbum Songs of Faith (1956). Aretha, nessa altura já era mãe de duas crianças, Clarence e Edward e sua avó Rachel ficou encarregada de cuidar deles enquanto a neta cuidava da carreira.


Em 1961, Aretha conheceu o produtor John Hammond, que trabalhou com Sam Cooke e conseguiu contrato com a Columbia Records, onde gravou seu primeiro álbum fora do meio gospel intitulado simplesmente Aretha, onde contou com a Ray Bryant Combo. No disco, onde Aretha canta com a influência que teve de cantoras como Dinah Washington e Billie Holiday. O destaque fica por conta de Won't Be Long e sua versão para o clássico Over the Rainbow (do filme O Mágico de Oz). Foi nessa época que ela se casou com Ted White, seu empresário.


Em 1962, vieram os álbuns The Electrifying Aretha Franklin (com destaque para Rock-a-Bye Your Baby With a Dixie Melody) e The Tender, the Moving, the Swinging Aretha Franklin (com destaque para Try a Little Tenderness, que se tornou posteriormente um grande sucesso com Otis Redding e God Bless the Child, um clássico de Billie Holiday), seu primeiro álbum a alcançar um certo êxito comercial, chegando ao Top 70 das paradas.


Em 1963, veio o álbum Laughing on the Outside, com uma orientação mais jazzística, onde ela canta compsoições de Johnny Mercer, Irving Berlin e Duke Ellington, entre outros.


Em 1964, ela gravou o álbum Unforgettable: A Tribute to Dinah Washington. É preciso dizer algo mais? Aretha interpreta canções de sua influência-mor, a grande cantora falecida nesse ano, com destaque para a sempre bela canção, já interpretada por Nat King Cole, Unforgetable e um clássico de Dinah What A Difference The Day Makes. Gravou também o álbum Runnin' Out of Fools, onde Aretha intepreta músicas no melhor estilo Girls Group como Mockingbird (de Inez Foxx) e The Shoop Shoop Song (de Betty Everett). Foi nesse ano que ela foi coroada simbolicamente a Rainha do Soul num programa de TV americano.


Em 1966, foi gravado o álbum Soul Sister (com destaque apara dois clássicos Ol' Man River (já gravada pro Ray Charles e Frank Sinatra) e Swanee. Este disco começou sa preparar terreno para o grande sucesso que ela faria nos anos subsequentes. Foi seu penúltimo álbum pela Columbia.


Em 1967, ela gravou o álbum Take it Like You Give it  e após assinar com a Atlantic Records, gravou o álbum I Never Loved a Man the Way I Love You [hoje um clássico] que colocou Aretha no topo .Aqui, só a faixa título já vale o disco. Essa é a Aretha que ficaria para sempre na memória dos fãs de um Soul mais quente e recheado de metais (com o lendário grupo Muscle Shoals Rhythm Section) e backing vocals deliciosos (ora contando com o grupo vocal Swett Inspirations ora com as irmãs de Aretha Erma e Carolyn Franklin). Aqui começou a grande parceria dela com o lendário saxofonista e músico de sessão King Curtis (veja biografia aqui). A banda de Curtis, The Kingpins tornou-se a partir deste álbum, a banda de apoio da cantora. Fora a música que dá nome ao álbum, o disco conta com Dr. Feelgood, Soul Serenade e o clássico Respect (de Otis Redding), que se tornou uma de suas canções-chave no resto de sua carreira. Não é a toa que alguns chamam Aretha de Miss Respect. Não podemos esquecer de A Change is Gonna Come, uma homenagem singela ao grande amigo Sam Cooke que morrera em 1964. No mesmo ano, veio o álbum Aretha Arrives onde ela canta alguns clássicos do Rock sessentista como a versão de La Franklin para o clássico dos Rolling Stones (I Can't Get no) Satisfaction e 96 Tears do obscuro grupo ? & The Mysterians. Também canta uma das músicas mais conhecidas do século XX, You Are My Sunshine e um clássico da cantora, Baby I Love You. A Columbia lançou um último disco de Aretha antes dela sair da gravadora chamado Take a Look.


Continua no próximo post


Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.aretha-franklin.com/

Aretha e Sam Cooke: uma grande amizade



sexta-feira, 4 de março de 2011

Entre o Céu e o Inferno

Sam Cooke é um dos pais da Soul Music, um estilo que é uma síntese do Gospel e do Rhythm & Blues. Enquanto o primeiro tinha um aspecto religioso e devocional o segundo era mundano e despojado. Sam começou cantando louvores e terminou a vida falando sobre o amor sensual. Eis o porquê do título acima.

Samuel Cook nasceu no dia 21 de janeiro de 1931 em Clarksdale, Mississipi e era um dos oito filhos do ministro batista Rev. Charles e sua esposa Annie Mae Cook. Willie, Charles Jr., L.C., David, Hattie, Mary e Agnes eram seus irmãos. A família mudou-se para Chicago quando Sam tinha apenas 2 anos. Aos 9 ele formou com os irmãos L.C., Mary e Hattie um grupo Gospel chamado The Singing Children. Na adolescência, Sam e L.C. começaram a cantar no grupo vocal da comunidade batista da qual faziam parte chamado The Highway QC's. Quando haviam grupos Gospel visitantes, os irmãos Cook faziam as honras da casa cantando as partes principais. Esse grupo ainda contou em suas fileiras com dois futuros nomes do Soul: Lou Rawls (que assumiu a vaga de Sam) e Johnnie Taylor. Em 1949, Sam entrou para o The Soul Stirrers, grupo fundado em 1936 e que já tinha alguns discos Gospel gravados. O irmão L.C. também deixou os Highway QC's para cantar num grupo de Doo Wop chamado Johnny Keyes and the Magnificents. Nesse grupo, Sam iria começar a entrar em evidência como primeiro tenor e cantor principal, vaga que herdou quando o cantor principal deixou os Stirrers em 1950, para formar um outro grupo. Sam além de uma bela voz tinha uma aparência bonita que deixava [principalmente] o séquito feminino das igrejas apaixonado. Os Stirrers tinham contrato com a gravadora Specialty Records que tinha uma parte dedicada ao Gospel. Isso graças a J.W. Alexander, cantor do The Pilgrim Travelers que impressionado com o potencial do jovem, indicou o grupo para aquela gravadora. O grupo gravou pérolas do Gospel como Wade in the Water, Amazing Grace, Stand By Me Father, Jesus Paid the Debt, Peace in the Valley, Touch the Hem of His Garment, entre muitas outras.

Em 1956, Sam gravou seu primeiro single popular, Loveable no qual teve que usar o pseudônimo de Dale Cooke para não desagradar seus admiradores do meio Gospel. Em 1957, ele saiu dos Soul Stirrers e foi substituído por Johnnie Taylor (que havia cantado nos Highway QC's). Passou a usar seu nome de bastismo acrescido de "e" no final. Começava assim sua carreira fora do meio Gospel. Seu single seguinte foi You Send Me (que tinha como lado B Summerttime do musical Porgy & Bess de George Gershwin).

Em 1958, casou-se com sua namorada de infância Barbara Campbell, cerimônia essa realizada pelo pai de Sam. Desse enlace nasceram Linda, Tracey e o caçula Vincent. Por conta do sucesso do single, Sam foi ao programa Ed Sullivan Show e teve uma temporada no Copacabana, famoso clube de New York. Então, começou a excursionar junto com algumas lendas do Rock e Rhythm & Blues como Buddy Holly & The Crickets, Jackie Wilson e Little Richard.

Em 1961, fundou sua própria gravadora a SAR Records, subsidiária da RCA Victor, onde gravou seus maiores sucessos: Cupid, Everybody Loves to Cha Cha, Only Sixteen, Wonderful World, Chain Gang, Most of All, Another Saturday Night, Twistin' The Night Away e Bring It on Home to Me (onde o amigo e ex-Highway QC's Lou Rawls fazia os backing vocals). A gravadora de Sam foi responsável pelo surgimento de nomes como Bobby Womack (outro grande amigo de Sam) e The Valentinos além de Rawls e Taylor, ironicamente seus substitutos nos grupos Gospel dos quais fez parte. Aquele tipo de música com o apelo Gospel mas com letras que falavam de amor carnal agradaram em cheio a muitos admiradores. Sam Cooke acabou se tornando uma grande referência para a comunidade negra americana e um dos primeiros a apoiar a luta pelos direitos civis e contra a desigualdade racial [sua canção A Change is Gonna Come é um hino da luta contra o preconceito].

Em 1963, a tragédia pairava sobre a vida de Sam quando seu filho Vincent, de apenas 3 anos, morreu afogado na píscina o que causou um abalo em seu casamento por ele culpar a esposa  Barbara pelo ocorrido. Para amenizar a dor, ele mergulhou nos shows que fazia. Aquele homem que parecia apaixonado aos olhos de seus espectadores era uma pessoa amargurada e marcada pela perda de um ente querido.

Em 1964 fez um inusitado duo com o consagrado lutador Cassius Clay (mais conhecido atualmente como Muhamad Ali) numa música chamada I Am The Greatest. Nessa época Sam tinha contatos com o líder negro Malcolm X. Em março daquele ano, nova tragédia: Sam foi assassinado com um tiro dado por Bertha Franklin, proprietária de um hotel onde ele estava hospedado. Segundo a mulher, o cantor a teria atacado e ela atirou nele para se defender. De qualquer forma, sua morte significou uma perda muito sentida para seus admiradores e amigos e para a Soul Music que se consolidaria no final da década de 60. Sua viúva se casou com Bobby Womack. Aretha Franklin, a quem conheceu quando ainda estava nos Soul Stirrers e que foi sua protegida se tornaria um dos maiores nomes da música negra.

O legado de Sam tem se mantido vivo não só graças a lendas do Soul como Wilson Pickett, Sam & Dave, Rufus Thomas, Solomon Burke, Otis Redding, Jackie Wilson, Bobby Womack e Gene Chandler como por músicos das mais diversas tendências como John Lennon, Paul McCartney, Art Garfunkel, Michael Bolton, James Taylor, Eric Burdon, Jim Croce e Rod Stewart, todos grande admiradores do carismático cantor.
Fontes:
Wikipedia (em inglês)
http://www.history-of-rock.com/cooke
http://www.songsofsamcooke.com/

Sam Cooke: uma das grandes vozes do Soul