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quarta-feira, 16 de março de 2011

Músicos de Apoio: King Curtis

Iniciamos uma série contando um pouco sobre a biografia de músicos de apoio que, em muitos caos não compartilharam o spotlight das grandes lendas da música mas que marcaram seu nome na história. Vamos começar com o grande saxofonista King Curtis.

Curtis Ousley nasceu no dia 7 de fevereiro de 1934 em Fort Worth, Texas. Começou a aprender a tocar sax quando tinha 12 anos. Sempre preferiu sax tenor, alto e soprano e ainda estudante de música, recusou bolsas de estudo para se juntar à banda do bluesman Lionel Hampton, onde começou a a prender a compor e fazer arranjos. Suas principais influências eram  Lester Young, Louis Jordan, Illinois Jacquet, Earl Bostic e Gene Ammons. Mudou-se para Nova York e depois do tempo tocando com Hampton, começou a formar seus próprios grupos de Jazz e Rhythm & Blues.

Na década de 50, com a explosão do Rock and Roll, começou a oferecer seus préstimos como músico de sessão e apoio em concertos. Trabalhou com The Coasters em 1958, deixando sua marca no clássico do grupo Yakety Yak, onde fez o solo de sax. Com Clyde McPhatter (ex-Drifters) mostrou novamente seu talento como solista instrumental em Lover's Question. Na mesma época, foi contratado por Buddy Holly para algumas sessões e teve seu nome creditado na composição Reminiscing, que só foi lançada três anos após a morte de Holly. Trabalhou ainda com Andy Williams, Nat Adderly e Wynton Kelly.

Também como intérprete solo, King Curtis deixou sua marca. Em 1962, seu single Soul Twist alcançou o topo das paradas de R & B dos EUA. Nessa década trabalhou com grandes nomes do Soul e do Rock como The Shirelles (tocou sax em Boys), Wilson Pickett, Don Covay, Solomon Burke, Bobby Darin e muitos outros. Em 1965, começou a trabalhar na gravadora Atlantic Records, onde gravou dois singles bem sucedidos, Ode To Billy Joe e Memphis Soul Stew. Formou a banda The Kingpins que fez a abertura do memorável show dos Beatles no Shea Stadium. A banda converteu-se em grupo de apoio da cantora Aretha Franklin, de quem Curtis era um grande amigo além de diretor musical.

Em 1970, foi laureado com o Grammy pela performance instrumental em Games People Play, cover do cantor Joe South (em parceria com Duanne Allman), participou de um dos melhores discos de Aretha Franklin naquela década: Aretha Live at Fillmore West, onde trabalhou com uma formação incrementada dos Kingpins que contava com Billy Preston (teclados), Jerry Jemmott (baixo), Cornell Dupree (guitarra), Pancho Morales (percussão, Bernard "Pretty" Purdie (bateria) e os metais acachapantes do grupo The Memphis Horns. Tendo trabalhado com The Band e Allman Brothers, Curtis ficou muito amigo daquelas bandas. Nesse mesmo ano, ele trabalhou nas sessões do álbum Imagine de John Lennon e participou das faixas It's So Hard e I Don't Wanna Be a Soldier Mama I Don't Wanna Die. Também compôs e tocou na música tema do programa Soul Train com o grupo The Rimshots.

No dia 13 de agosto de 1971, Curtis voltava para seu apartamento com o aparelho de ar condicionado que havia comprado e foi abordado por dois viciados que tentaram rendê-lo anunciando um assalto. O músico reagiu e levou uma facada no peito. Ainda consegiu render um dos atacantes mas teve um colapso e foi levado ao hospital, onde morreu horas depois. No seu funeral, os amigos Aretha, Cissy Houston, Duane Allman e Stevie Wonder prestaram a ele uma linda homenagem. Sua morte foi tão sentida que Aretha Franklin ficou anos sem se apresentar, chocada com a perda violenta do grande amigo. Apesar do trabalho como músico de sessão, ele deixou uma vasta discografia como artista solo.

King Curtis foi introduzido no Rock and Roll Hall of Fame em 2000.

Fontes:
Wikipedia (em inglês)
http://rockhall.com/inductees/king-curtis/bio/

King Curtis
King Curtis, um dos melhores saxofonistas do
Rock and Roll, Jazz e Rhythm & Blues
Crédito da foto: http://rockhall.com/inductees/king-curtis/bio/

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Fabuloso George Harrison

25 de fevereiro já foi uma data muito feliz para toda a Nação Beatlefan. Nesta data comemorávamos o aniversário do querido George Harrison [ainda comemoramos apesar de sua ausência]. Hoje em dia, ao ver essa data, olhamos para o calendário e suspiramos: "poxa, se George estivesse vivo, estaria fazendo tantos anos". O que fica para todos nós é a recordação de seu alto astral, seu sorriso e sua simplicidade, traços que fazem dele um dos artistas mais admirados do Rock and Roll.

George Harrison nasceu no dia 25 de fevereiro de 1943, filho caçula do casal Harold Hargreaves e Louise French Harrison e neto de irlandeses pelo lado da mãe [sua avó também se chamava Louise]. O casal Harrison teve ao todo 4 crianças: Louise, a mais velha [terceira geração de Louises na família?], Harry e Peter. Harold trabalhava como motorista e a mãe era balconista de loja. No ano em que George nasceu, a Inglaterra , via Liverpool, ainda sofria pesados ataques feitos pela Alemanha de Hitler, sendo que nos anos iniciais da II Guerra era a única potência da europa que não tinha capitulado ante os nazistas. George nasceu e foi criado no nº 12 da Arnold Lane em Wavertree, lugar onde morou até meados de 1950 quando os Harrison mudaram-se para Upton Green nº 25 em Speke.

Estudou na Dovedale High School, onde coincidemente havia estudado John seus primeiros anos. Depois foi para o Liverpool Institute for Boys [hoje mais conhecida como Liverpool Institute for Performing Arts (LIPA)]. A primeira experiência que George teve com o Rock foi quando ouviu aos 12 ou 13 anos o clássico Heartbreak Hotel de Elvis Presley. Em 1956, o rapazinho comprou sua primeira guitarra, uma Egmond. Foi nessa escola que ele veio a conhecer Paul, que era alguns meses mais velho que ele.

Aproveitando a onda do Skiffle que varreu Liverpool e adjacências, George acabou formando uma banda de curtíssima duração chamada The Rebels que contou com seu irmão Peter (guitarra) e o amigo Arthur Kelly (guitarra). Nada mau para um moleque de apenas 14 anos.

Seu amigo Paul começou a fazer lobby para que George entrasse nos Quarrymen. Ao que parece, o líder da banda, John, estava com um pé atrás por ter nos Quarrymen alguém tão novo. O jovem Harrison já tinha ouvido falar das "proezas" de John na Dovedale e passou a admirá-lo como a um irmão mais velho.

Como diz o velho ditado, "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". A insistência de George em seguir os Quarrymen aliado ao fato de Tia Mimi ficar horrorizada com o menino fez com que ele ganhasse uns pontos com John. Perto de fazer seu 15º aniversário, George foi com  John e Paul ao Liverpool Morgue, clube do cantor Allan Caldwell (mais conhecido como Rory Storm). Após tocar Guitar Boogie Shuffle de Bert Weldon e Raunchy de Bill Justis, ele foi finalmente aceito nos Quarrymen mas sua entrada acabou sendo gradativa para não criar problemas para o outro guitarista titular Eric Griffiths. Chegou-se a cogitar de mudar Griffiths para o baixo mas o próprio Eric acabou saindo por conta própria. Os Beatles já contavam com 3 quartos de sua formação.

Quando John e Paul deram uma parada estratégica no início de 1959, George teve carta branca para participar de outra banda. O jovem não se fez de rogado e foi oferecer seus préstimos à banda de Al Caldwell à época chamada The Tornadoes. Ele só não foi aceito na banda porque a mãe de Al achava George muito novinho. Sendo assim, ele acabou sendo aceito numa banda iniciante chamada Les Stewart Quartet. A banda era formada por Les (guitarra), Ken Brown (baixo) e Geoff Skinner (bateria). Após uma briga feia entre Stewart e Brown, que ocasionou a saída do primeiro junto com o batera Skinner, Ken sugeriu a George que chamasse seus amigos John e Paul para completarem a banda para um compromisso no Casbah Club. Puderam usar até o nome Quarrymen. Mesmo sem um baterista, essa temporada no Casbah foi um grande sucesso e acabou até saindo em jornais locais. Ken Brown saiu da banda um pouco depois e no ano seguinte, os Silver Beatles [novo nome da banda], no momento contando com o baixista Stuart Suttcliffe e o baterista Tommy Moore participaram de um teste para ser banda de apoio de Tommy Steele. Embora não tenham passado no teste, o empresário Larry Parnes gostou da banda e contratou-os para tocar com o cantor Johnny Gentle numa turnê pela Escócia. Nestes shows, os Silver Beatles usavam pseudônimos pessoais. George era Carl Harrison (uma homenagem a seu ídolo Carl Perkins).

George participou ativamente de todo o período que marcou a transição dos Beatles de uma mera banda de garagem para o grande fenômeno de massa que eles se tornaram: a viagem a Hamburgo (1960), as primeiras incursões em estúdio (1961), o teste da Decca Records e a saída de Pete Best (1962).

Na fase dourada dos Beatles, no início george se contentava em ter um ou outro número para interpretar em discos e shows, mas influenciado pelos colegas começou a se tornar um grande compositor, brigando pelo direito a ter suas músicas gravadas. O seu jeito às vezes calado era pura fachada já que ele tinha um ótimo senso de humor e era um dos que mais participavam das tiradas da banda [vide o vídeo Beatles US First Visit e os filmes dos fab 4 e tirem suas conclusões].

George conheceu Patty Boyd durante as filmagens do filme A Hard day's Night (1964) e eles vieram a se casar  em 1966. Graças a essa relação, George escreveu suas canções mais românticas.

Durante as filmagens do filme Help! (1965) George começou a se interessar pela cultura oriental, sobretudo a música. Começou a aprender a tocar cítara com Ravi Shankar e foi o responsável pela introdução de um instrumento oriental no Rock.

Em 1968, ele gravou dois trabalhos sem os Beatles, a exemplo do que Paul havia feito dois antes antes: a trilha sonora do filme Wonderwall, onde contou com a banda Remo Four e o experimental Electronic Sounds.

No ano seguinte, George estava no auge de sua veia criativa e chegou a gravar um disco inteiro com suas composições para usar em futuros discos dos Beatles. Além disso, gravou sua melhor composição como Beatle, a bela Something, a segunda canção mais gravada dos Beatles [Nina Simone, Andy Williams, Elvis Presley e Frank Sinatra são só alguns dos artistas que gravaram a música]

Com o fim dos Beatles em 1970, George gravou seu primeiro trabalho solo, o álbum triplo All Things Must Pass, onde ele pôde aproveitar aquelas gravações que tinha feito no ano anterior e que não foram aproveitadas pelos Beatles. O primeiro grande sucesso da carreira solo de George foi uma faixa do disco, a ode dedicada a Deus My Sweet Lord. No meio desse redemonho de acontecimentos, George perde a mãe, vítima de câncer

Em 1971, George organizou um concerto para ajudar as vítimas da pobreza e fome em Bangladesh. Chamou seu velhos colegas Beatles e sua intenção era uma possível volta da banda. Só que o fato de George não querer a participação de Yoko fez com que John declinasse do convite. Paul também não aceitou porque George não quis desistir de um processo movido contra ele. Resumo da ópera: apenas dois Beatles participaram do evento: ele e Ringo. O jeito foi chamar alguns amigos como Leon Russell, Eric Clapton, Bob Dylan, Billy Preston e o Badfinger. O resultado foi o álbum Concert For Bangladesh.

Em 1973, gravou o álbum Living In Material World e o seu casamento com Patty chegou ao fim. É dessa época seu outro grande sucesso Give me Love.

Em 1974, foi a vez da gravação do álbum Dark Horse apesar das críticas crueis dizendo que era um disco pobre com letras pobres, foi muito bem de vendas na Inglaterra e nos EUA.

Depois dos álbuns Extra Texture (1975) e 33 & 1/3 (1976), derradeiros álbuns dele para a Apple Records, foi feita a primeira coletânea de sucessos de George chamada The Best of George Harrison de seu próprio selo Dark Horse.

Em 1978, morreu Harold, o pai de George, vítima de câncer. Apesar da dor da perda do ente querido, George se casou com Olivia Arias, a quem conhecia desde 1974 e que foi sua companheira até o fim de sua vida.
Por conta de seu interesse por corridas de fórmula 1, George veio ao Brasil em 1979 para assistir ao Grande Prêmio em Interlagos. Foi o primeiro Beatle a visitar o país. Ele ficou muito amigo de Emerson Fittipaldi e fã de Nelson Piquet e Ayrton Senna. Outra boa otícia: nasceu Dhani Harrison, o primeiro e único filho de George e Olivia. Nessa época, George criou uma produtora de cinema chamada Hand Made Filmes (que tuha os filmes The Life of Brian do grupo cômico Monty Python e Shangai Surprise estrelando Madonna e seu ex-marido Sean Penn).

Em 1980, um momento trágico: o grande amigo e ex-colega Beatle John foi assassinado em New York, o que acabou fazendo com que George e Paul, brigados desde o fim dos Beatles fizessem as pazes.

Em 1981, George gravou o álbum Somewhere In England, que tem o emocionado tributo ao amigo John, All Those Years Ago, que contou com as participações de Paul e Ringo.

Em 1982, gravou um dos piores [senão o pior] álbuns de sua carreira, o insosso Gone Troppo [o próprio George odiava esse disco]. Depois disso, ficou uns cinco anos sem gravar.

Em 1987, George voltou aos estúdios com o álbum Cloud 9 que emplacou o hit I Got My Mind Set on You (de autoria de Rudy Clark). Outro destaque era a canção When We Was Fab, com referências aos Beatles.

Em 1988, formou com os amigos Bob Dylan, Tom Petty, Jeff Lynne e Roy Orbison a superbanda Travelling Wilburys. No primeiro disco da banda, Travelling Wilburys Vol. 1, George usou o pseudônimo de Nelson Wilbury. No ano seguinte, saiu a segunda coletãnea de George chamada Best of Dark Horse Years.

A década de 90 começou com o segundo álbum dos Travelling Wilburys, apesar da morte de Roy Orbison, que não viveu o sificiente para colher os louros pelo belo trabalho do disco anterior. George e os outros Wilburys cogitaram convidar a lenda do Rock Del Shannon, mas este acabou se suicidando. Neste álbum, chamdo Travelling Wilburys Vol. 3, George usou o codinome Spike Wilbury.

Em 1991, fez uma turnê pelo Japão junto com o amigo Eric Clapton, a segunda desde 1974, cujo registro foi gravado no álbum Live In Japan, lançado em 1992.

Em 1994 reuniu-se aos amigos Paul e Ringo para desenvolver a série Anthology, o documentário definitivo sobre os Beatles que teve três álbuns lançados entre 1995 a 1997.

Depois disso, desapareceu da mídia e em 1999 foi diagnosticado com câncer, doença contra a qual começou uma titânica luta. Como se não bastasse, George foi atacado e esfaqueado por um maluco em sua casa. Graças à coragem de sua querida esposa, George não sofreu nenhum ferimento mais grave.

Em 2001, ele apareceu como músico convidado no álbum Zoom do Electric Light Orchestra do amigo Jeff Lynne, tocou com o amigo Jim Capaldi a versão em inglês da música Anna Julia dos brasileiros Los Hermanos [que sortudos!!!] e gravou sua derradeira música Horse To The Water no programa do amigo Jools Holland junto com o filho Dhani. Nesse ano, George perdeu a batalha contra o câncer e foi-se desta vida em 30 de novembro. Ele tinha 58 anos. O último álbum foi Brainwashed (2002) com destaque para a canção Any Road.

Em 2002, os grandes amigos que fez em vida fizeram um inesquecível tributo Concert For George.

Fica aqui registrada a admiração que temos por George e o nosso muito obrigado por tudo o que aprendemos com ele. God Bless You, George. HAPPY BIRTHDAY TO YOU.

Fonte:
Wikipedia
http://www.beatlesource.com/
http://www.beatlesbible.com/
http://www.thebeatles.com/

Dear George: Happy birthday to you

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Dia em que a Música Morreu: Buddy Holly

O título acima, que faz parte de American Pie, a pungente ode ao Rock and Roll interpretada por Don McClean relembra o fatídico dia 3 de fevereiro de 1959, quando três grandes lendas morreram num acidente de avião. Neste post e nos dois seguintes falaremos de suas notáveis biografias.
Charles Hardin Holley nasceu no dia 7 de setembro de 1936 na cidade de Lubbock no Texas, filho de um casal de cantores de country, Laurence Odell e Ella Pauline Holley. Seus irmãos mais velhos  incentivaram-no a aprender a tocar diversos instrumentos como violão, banjo e guitarra. Aos cinco, Buddy (como sempre foi chamado em família) venceu um concurso de talentos vocais cantando Have You Ever Gone Sailing (Down the River of Memories). Aos 12, aproveitando sua voz de sopranino (que perderia com o avanço da puberdade), ele gravou num gravador caseiro uma canção de Hank Snow chamada My Two Timin' Woman. Em 1952, Buddy conheceu seu grande parceiro Bob Montgomery com quem formou o duo Buddy & Bob que fez um certo sucesso no circuito colegial de Lubbock e em algumas rádios locais. Em 1955, teve a honra de fazer a abertura do show do [então] futuro Rei do Rock Elvis Presley quando da visita dele em Lubbock. Aquilo acabou causando uma grande mudança no garoto com óculos fundo de garrafa (Buddy tinha uma miopia muito aguçada desde a mais tenra infância). Como se não bastasse, no final daquele ano, Buddy ainda faria a abertura para outra lenda do Rock Bill Haley e Seus Cometas. Isso acabou chamando a atenção da Decca Records, gravadora da banda e Buddy foi contratado. O erro de grafia usado pelo pessoal da gravadora para seu sobrenome (Holly), acabou sendo adotado como nome artístico. Surgia assim, Buddy Holly!

O próximo passo foi reunir uma boa banda de acompanhamento. Jerry Allison (bateria), Joe P. Maudlin (baixo) e Nikki Sullivan (guitarra) responderam ao chamado. Jerry e Joe já haviam participado de uma gravação com Buddy. Para nomear o grupo, teve-se a ideia de quebrar o paradigma existente de chamar as bandas com nomes de pássaros. Pensaram em insetos e aí veio The Crickets. Logo de cara, a banda enfrentou uma baixa: o guitarrista Sullivan deixou a banda para se dedicar aos estudos. Mesmo assim, decidiram continuar como trio.

Quando o produtor Norman Petty convidou a banda para uma série de sessões de gravação em seu estúdio situado em Clovis, Novo México em 1957, começou uma sólida parceria que traria grandes sucessos como That'll Be The Day, Not Fade Away, Peggy Sue, Rave On, Maybe Baby e Oh Boy. Em agosto, aconteceu um fato inusitado coma banda. Eles haviam sido contratados para tocar no lendário Apolo Theater, verdadeiro templo da música negra norte-americana. Imagina-se que os produtores acreditavam que um nome como The Crickets só poderia ser de uma banda negra. Agora imaginem o quadro: na plateia, negros amantes de Blues e Rhythm & Blues e no palco uma banda de Rockabilly. Embora não tenham ocorrido protestos mais acalorados, custou muito para aquela plateia exigente aceitar os primeiros brancos a pisarem no Apolo. Os Crickets ainda apareceram em rede nacional no Ed Sullivan Show.

Em 1958, Buddy encontrou aquela que seria o grande amor de sua vida, Maria Elena Santiago, com quem se casou pouco depois (fato que era desconhecido dos fãs até a morte de Holly). Foi nesse ano também que Buddy Holly fez sua histórica turnê à Inglaterra onde ele era simplesmente venerado pelos jovens, dentre os quais, futuras lendas do Rock and Roll (John Lennon, Paul McCartney, George Harrison, Mick Jagger, Allan Clarke, Graham Nash e outros). De volta aos EUA, Buddy rompe a parceria com Petty, insatisfeito com os contratos envolvendo seu nome e o dos Crickets. O empresário ficou com os Crickets e Buddy começou sua carreira solo.

Em 1959, decidiu se juntar a alguns artistas como Ritchie Valens, Big Bopper e Dion & The Belmonts num evento chamado Winter Dance Party. Após um show em Iowa em 2 de fevereiro, o ônibus da trupe quebrou e Buddy alugou um jatinho para levar alguns deles para outro lugar. Como só havia três lugares, fora o do piloto, houve um sorteio entre todos e Buddy, Ritchie e Bopper foram vencedores, deixando o resto do pessoal chateado. Numa brincadeira bem mórbida, Buddy brincou com o músico Waylor Jennings, que fazia parte da comitiva: "espero que esse ônibus congele". Jennings devolveu: "E eu espero que esse maldito avião caia!". Dito e feito: poucas horas após decolar, o avião com os músicos caiu vitimando a todos os tripulantes. Jennings disse num depoimento que a tal piada de mal gosto o assombrou por décadas.

No funeral de Buddy, o casamento do músico veio à tona e a família ficou conhecendo sua esposa grávida de seis meses, Maria Elena. Infelizmente, o fruto de tão belo amor não vingou, pois Maria teve um aborto espontâneo [enquanto escrevo isso, as lágrimas afloram de meus olhos...].

The Crickets continuou atuando como banda e teve diversas alterações em sua formação, vindo a terminar nos anos 70. Nos anos 90, a partir de um evento chamado Buddy Holly Day, seus membros originais voltaram a se reunir e a banda está junta até hoje.

Norman Petty continuou a atuar como empresário mas nunca mais encontrou um parceiro como Buddy Holly. Ele faleceu em 1984.

Nos anos 70, foi feito um filme para TV contando a história de Buddy Holly, The Buddy Holly Story, com Gary Busey no papel de Buddy. Maria Elena se casou novamente e teve três filhos. Hoje é uma avó coruja e é a guardiã de tudo o que se refere ao seu inesquecível amado: sua música, seus direitos, sua imagem. Tudo isso ela alcançou graças a um grande admirador de Buddy Holly como forma de agradecimento por tudo o que ele conquistou como grande artista e ser humano. Seu nome? Paul McCartney.

Para conhecer mais sobre Buddy Holly, visite: http://www.buddyhollyandthecrickets.com/

Buddy Holly, uma estrela que jamais vai deixar de brilhar

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

A Rainha Vive!

Não, não estou falando da Rainha Elizabeth II da Inglaterra que no alto de seus 84 anos, continua sendo a grande monarca do Reino Unido. God Save The Queen!
Estou falando de outra rainha, uma das bandas mais queridas da história do Rock and Roll: QUEEN, banda que teve seus primórdios no final dos anos 60 quando o guitarrista e estudante de Física e Matemática Brian May e o baterista e estudante de Biologia Roger Taylor, ambos do Imperial College se uniram ao baixista/vocalista Tim Staffell para formar a banda Smile. May e Staffell já haviam tocado antes numa banda chamada 1984. Apesar de ter gravado algum material pelo selo Mercury, a banda Smile teve curta duração (1968-1970) pois Tim Staffell deixaria os companheiros para formar outra banda. Nesse ínterim, o Smile tinha chamado o tanzaniano Farouk [também chamado Freddie] Bulsara, amigo de Staffell para fazer as vezes de tecladista e vocalista na banda. Num dado momento, Brian pensou em deixar a música em favor dos estudos mas Freddie o persuadiu a continuar em outra banda, tendo o colega Roger Taylor do Smile fazendo parte do trabalho. Farouk Bulsara se tranformava em Freddie Mercury e ele sugeriu o nome Queen por ter um significado poderoso mas bem simples de se pronunciar em qualquer língua [muita gente hoje em dia pensa que o nome seria uma gíria para homossexual em inglês, mas a intenção da banda não era essa]. O Queen contou com alguns baixistas que acabaram não se firmando. Isso até 1971 quando John Deacon se firmou como o titular das quatro cordas.
O Queen era uma das poucas bandas novatas que tocavam/interpretavam seu própio material. Isso os levou à gravação do primeiro álbum Queen (1973) que é considerado um dos melhores discos de estréia de um artista/banda. Keep Yourself Alive e Seven Seas of Rhye (versão instrumental) são alguns dos destaques.
No segundo álbum (Queen II, 1974), a banda investiu num estilo mais operístico que seria o supra sumo das futuras apresentações do Queen. Aqui, além dos clássicos queenianos White Queen (As it Began) e The March of Black Queen, há a versão mais conhecida de Seven Seas of Rhye. No mesmo ano, a banda gravou seu terceiro álbum Sheer Heart Atack  com as pérolas Killer Queen e Now I'm Here.
No ano seguinte, veio aquele que é considerado o álbum dos álbuns do Queen, A Night at The Opera [o título faz menção a um filme dos Irmãos Marx]. Esse álbum traz o grande clássico Bohemian Rhapsody, a síntese definitiva entre Rock e Opera. Pensa que é só isso? Ainda tem Love of My Life, outro grande clássico rockeiro e You're My Best Friend, preferida por 11 entre 10 fãs do Queen. O álbum é magistralemente fecahdo com a versão queeniana do hino da Inglaterra: God Save The Queen. Nesse momento, o Queen se consolida como uma das melhores bandas do mundo e seus videoclips são os mais incensados pelo público.
Em 1976, vem o álbum The Day at the Races. E tome clássicos do Queen na moleira: Tie Your Mother Down, Somebody To Love - que teve como inspiração a introdução de Jesus Joy of Man's Desiring de Bach [opinião do Editor] e Good Old-Fashioned Lover Boy.
Por falar em clássicos, o quinto álbum do Queen, News of the World (1977) traz nada mais nada menos que We Are The Champions, o hino dos vencedores, além de We Will Rock, para rockeiro nenhum ficar parado e Spread Your Wings (haja coração nessas horas!).
O sexto álbum, Jazz (1978) é um dos que fazem os queenmaníacos torcerem o nariz, apesar de figurarem alguns clássicos como Bycicle Race, Don't Stop me Now e Fat Bottomed Girls.
The Game (1980) foi o primeiro álbum do Queen a alcançar os primeiros lugares nas paradas americanas e tome clássicos: Play The Game, Save Me, Another One Bites the Dust (influenciada pela batida genial do baixista do grupo Chic, Bernard Edwards no clássico Good Times) e Crazy Little Thing Called com sua levada bem Rockabilly. Nesse mesmo ano, a banda gravou a trilha sonora do filme Flash Gordon que tem a deliciosa Flash's Theme de Brian May.
Em 1981, o Queen fez sua primeira turnê em terras brasileiras num show inesquecível num Morumbi lotado.
Em 1982, o Queen gravou o mais execrado dos álbuns da banda [na opinião dos fãs do Queen], Hot Space. Apesar dos pesares, ali tem a parceria do Queen com o cantor David Bowie em Under Pressure (com um dos mais conhecidos riffs de baixo da história, "chupado" anos mais tarde pelo rapper Vanilla Ice na deplorável Ice Ice Baby); Cool Cat, uma incursão do Queen numa vertente do Soul chamada no Brasil de Charm e que fez um grande sucesso em bailes black brasileiros da década de 80; Las Palabras de Amor, com a banda cantando trechos em espanhol e Life Is Real (Lennon's Song) uma singela homenagem a John Lennon que sido assassinado uns dois anos antes. Por falar em homenagem ao eterno Beatle, o Queen costumava tocar sua versão de Imagine (pode ser encontrada em bootlegs da banda).
Depois da ausência do bom e velho Rock and Roll no álbum anterior, o Queen voltava com força total em The Works (1984), mas sem deixar de lado a levada funky soul. Nesse álbum estão Radio Ga Ga, I Want to Break Free, cujo videoclip mostrava a banda caracterizada como mulheres (!!!) e Hammer to Fall. A turnê do disco trouxe o Queen pela segunda vez ao Brasil, onde eles participaram do primeiro Rock in Rio (1985). Eles acabaram roubando a cena, num dos mais memoráveis shows internacionais que o Brasil já viu. Nesse mesmo ano, a banda participou do Live Aid.´Paralelo ao álbum, Freddie gravou seu primeiro trabalho solo, Mr. Bad Guy (1984) com o hit I Was Born to Love You e um dueto com Michael Jackson em There Must Be More To Life Than This.
Em 1986, a banda gravou Kind of Magic, baseado  na trilha sonora do filme Highlander, o Guerreiro Imortal, estrelado por Christopher Lambert. São desse álbum:  A Kind of Magic, One Vision, Friends Will be Friends e Who Wants to Live Forever. Esse álbum foi massacrado pela crítica, mas sua turnê foi uma das mais rentosas da história da banda. No dia 9 de agosto de 1986, a banda fez seu derradeiro show no Knebworth. No ano seguinte, o Queen tira férias e Freddie grava seu segundo trabalho solo, The Great Pretender, com sua versão para o clássico homônimo do The Platters. Este álbum só seri lançado em 1992.
Em 1988, Freddie gravou o álbum solo Barcelona com a soprano lírica Montserrat Cabalet, onde cantam, entre outras coisas, a canção-título e How Can I Go On, que fez um enorme sucesso, sobretudo no Brasil.
Em 1989, o Queen voltou ao estúduio para gravar o álbum The Miracle, que contava com a faixa-título, I Want It All e Breakthru. Foi nessa época que Freddie descobriu que era portador do vírus da AIDS. Ao invés de se abater, o cantor agarrou-se com afinco ao trabalho do Queen e eles gravarm o álbum Innuendo (1991), o último da banda com material inédito. Contém Innuendo, The Show Must Go On (seria uma prévia do que estava por acontecer com Freddie?) e These Are the Day of Our Lives.  verdade era que Freddie cada vez mais estava definhando por causa de sua doença até sucumbir em novembro daquele ano. A morte de Freddie trouxe o fim àquela banda formada duas décadas antes e criou uma nova lenda que vai ser contada de geração em geração.
Um ano depois da morte de Freddie, vários artistas se reuniram no evento Freddie Mercury Tribute Concert. Elton John, Extreme, David Bowie, Robert Plant e outros interagiram com os membros do Queen nesse inesquecível tributo.
Em 1995, os remanescentes do Queen se reuniu uma vez mais em estúdio para finalizar o material deixado por Freddie que acabou ficando fora de Innuendo. dsete trabalho resultou Made In Heaven. Depois disso, cada um deles mergulhou em seus trabalhos individuais e vez ou outra têm se reunido para um revival do Queen, tendo contado com George Michael e Paul Rodgers como frontmen em ocasiões distintas. Em todos esses eventos, a banda fez questão de frisar que nunca houve uma tentativa de reativar o Queeen. "Freddie era o coração da banda", teriam dito Brian, Roger e John.

A biografia acima foi só uma pincelada sobre a trajetória do Queen. Caso queiram saber mais e ir a fundo na história da banda, pode visitar: http://www.queenonline.com/home