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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Casamentos Musicais: Gerry Goffin & Carole King

Continuando nossa série dentro do Biografias Musicais, vamos falar de um casal que ajudou a construir a música dos anos 60, sendo uma das melhores duplas de compositores daquela década.

Gerald "Gerry" Goffin nasceu no dia 11 de fevereiro de 1939 no bairro do Brooklyn em Nova York. Após se formar na Brooklyn Technical High School, ele se alistou na Marinha dos EUA. Em 1958, quando tinha 19 anos, começou a adquirir o gosto para escrever letras de músicas. Após um ano estudando na Academia Naval, ele desistiu da carreira militar e começou a estudar Química no Colégio Queens, onde ele conheceu o cantor Neil Sedaka e sua namorada Carole King. Junto com o jovem Paul Simon, os três formavam uma confraria de compositores.

Carole King, nascida Carol Klein no dia 9 de fevereiro de 1942 em Manhattan, Nova York. De família judaica, Carol aprendeu a tocar piano e tinha o sonho de se tornar uma grande artista, inclusive adicionando um "e" a seu nome e criando um novo sobrenome, para evitar conflito com os pais. Consultou a lista telefônica e gostou de "King". Começou a estudar na James Madison High School, onde formou um quarteto vocal. Quando ela foi para o Colégio Queens conheceu o jovem Neil Sedaka e os dois começaram a namorar. Neil já tinha uma certa fama como cantor e compositor e escreveu uma música dedicada à namorada, Oh Carol! que fez muito sucesso. Em resposta, ela escreveu Oh Neil!, um hit menor.

Carole e Gerry formaram uma parceria musical que culminaria com seu casamento em setembro de 1960. Foi nesse ano que eles conheceram o lendário produtor Don Kirchner que gostou da dupla e os contratou para trabalhar no lendário Brill Building, o prédio dos compositores. Um dos primeiros sucessos da lavra da dupla foi Will You Love Me Tomorrow, para The Shirelles (veja bio aqui). Essa canção seria regravada no anos posteriores por artistas como Dusty Springfield, Four Seasons, Jackie DeShannon, Bee Gees e a própria Carole King, para ficarmos nas mais famosas. Tiveram duas filhas: Louise e Sherry.

Em 1961, escreveram para Bobby Vee as músicas Take Good Care of My Baby (regravada por Dion & The Belmonts e  Bobby Vinton; os Beatles a interpretaram em seu teste na Decca Records) e Walkin' with My Angel (depois regravada pelos Herman's Hermits). Compuseram ainda Some Kind of Wonderful para The Drifters (regravada por Marvin Gaye e Carole King), Halfway to Paradise para Tony Orlando, Every Breath I Take para Gene Pitney e Don't Ever Change para The Crickets.

Em 1962, descobriram que a babá de suas meninas,  Eva Narcissus Boyd tinha talento musical e compuseram para ela, que começou a ser conhecida como Little Eva, o mega-hit The Locomotion (gravado depois por Grand Funk Railroad, entre outros) e o lado B Keep Your Hands off My Baby (que os Beatles tocaram em seus programas na BBC). Escreveram também Chains para o grupo The Cookies (que apareceu no primeiro álbum dos Beatles Please Please Me de 1963), He Hit Me (It Felt Like a Kiss) para The Crystals, Go Away Little Girl para Steve Lawrence (depois regravada por The Tams e The Happennings), Point Of No Return para Gene McDaniels, It Might As Well Rain Until September para Bobby Vee e para fechar a lista, um dos grandes clássicos dos Everly Brothers Crying in the Rain.

Em 1963, vieram Don't Say Nothin' Bad (About My Baby) para The Cookies, Old Smokey Locomotion para Little Eva, I Can't Stay Mad At You para Skeeter Davis, Hey Girl para Freddie Scott (regravada por Donny Osmond, Ray Charles e Billy Joel), e os clássicos One Fine Day para The Chiffoons e Upon the Roof para The Drifters.

Em 1964, escreveram I Can't Hear You no More para Betty Everett, I'm Into Something Good para Earl-Jean McRea (das Cookies), música que fez muito sucesso com Herman's Hermits; outra composição da lavra da dupla foi o clássico de Maxine Brown Oh No Not My Baby (regravada por Aretha Franklin, Manfred Mann e Rod Stewart). Eles eram tão queridos pelos artistas britânicos que os Beatles, quando de sua primeira visita aos EUA fizeram questão de visitar o Brill Building e conhecer o casal.

A partir de 1965, o rítmo de composições do casal começou a diminuir. Nesse ano, apenas uma composição deles foi gravada, Don't Forget About Me, para Barbara Lewis, que ficou muito longe do Top 50. Em 1966, escreveram Don't Bring me Down para The Animals, Goin' Back para Dusty Springfield (que foi mais bem sucedida com The Byrds) e I Can't Make it Alone para P.J. Proby (regravada por Dusty Springfield). Em 1967, escreveram dois clássicos: Pleasant Valley Sunday para The Monkees e You Make me Feel (Like a Natural Woman) para Aretha Franklin (música regravada por Laura Nyro e Rod Stewart). Nesse ano, Carole já começava a compor sem Gerry. Em 1968, Gerry e Carole decidiram se divorciar mas mantiveram a parceria. Escreveram Porpoise Song para The Monkees (tema do filme Head) e Wasn't Born to Follow para The Byrds. Carole começou a atuar como cantora e Gerry começou a colaborar com outros compositores como Barry Mann (Something Better para Marianne Faithful), Russ Titelman (o clássico Yes I Will gravado por Monkees e Hollies), Barry Goldberg (It's Not the Spotlight para Rod Stewart) e Michael Masser (So Sad the Song para Gladys Knight & The Pips).

No começo da década de 70, eles escreveram as últimas composições como dupla. Hi-De-Ho para Blood, Sweat & Tears (1970) e Smackwater Jack para Carole em seu premiado álbum solo Tapestry (1971). Nesse mesmo disco há um dos maiores hits de Carole King sem Gerry Goffin, It's Too Late (coautoria de Tony Stern). Outro grande sucesso dela como compositora  é You Got a Friend para James Taylor,  também gravada por Dusty Sprongfield e pela própia Carol posteriormente.

Se por um lado Carole teve um grande êxito em sua carreira solo como cantora, gravando muitos discos e frequentando às vezes as paradas de sucesso, Gerry Goffin fez ótimos trabalhos de comsposição e produção. Até hoje, ele só gravou dois discos como artista individual: It Ain't Exactly Entertainment (1973) e Back Room Blood (1995). As duas filhas do casal tornaram-se cantoras e compositoras, seguindo o exemplo dos pais.

Em 1990, eles foram introduzidos como dupla no Rock and Roll Hall of Fame e até hoje são reverenciados como uma das mais talenrosas duplas de compositores de todos os tempos.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.history-of-rock.com/carole_king_and_gerry_goffin.htm
Carole King e Gerry Goffin: parceiros musicais

segunda-feira, 14 de março de 2011

Casamentos Musicais: Ike & Tina Turner

Vamos começar uma série dentro do nosso blog retratando a biografia dos mais famosos casais da história da música. Para inaugurar a série, falaremos de um dos mais explosivos casais da Soul Music. Estou falando de Ike e Tina Turner.

Isaac Wister "Ike" Turner nasceu em 5 de novembro de 1931 na cidade de Clarksdale, Mississipi. Seus pais eram Isaac Luster Turner, um pastor da igreja batista e Beatrice Cushenberry Turner, uma costureira e ele tinha três irmãos. Começou a trabalhar numa emissora de rádio local aos oito anos e na adolescência começou a trabalhar com o bluesman Robert Hawks carregando os instrumentos e o equipamento de sua banda. Hawks tocava frequentemente na rádio onde Ike trabalhava e o som de sua banda deixava o jovem atraído, o que o inspirou a aprender a tocar piano. Outras lendas do Blues como Pinetop Perkins (seu primeiro professor de piano), Muddy Waters, Little Walter e Sonny Boy Williamson também foram suas influências.

Anna Mae Bullock nasceu no dia 26 de novembro de 1939 em Nutbush, Tennessee e seus pais eram Floyd Richard Bullock, diácono batista e operário e Zelma Currie Bullock, também operária. Ela tinha uma irmã mais velha, Ruby Alline de quem foi separada quando os pais se mudaram para St. Louis, Missouri. Anna Mae passou a adolescência com a avó até seu falecimento. Então, voltou a reencontrar os pais e a irmã mais velha.

A carreira de Ike como músico começou no final dos anos 40 quando ele formou a banda Kings of Rhythm, que no dia 3 (ou 5) de março de 1951 foi ao estúdio de Sam Phillips em Memphis, Tenessee para uma gravação histórica que até hoje é considerada como a sessão de gravação que deu origem ao primeiro Rock and Roll gravado, Rocket 88, que teve como crédito o nome Jackie Brenston (saxofonista da banda) & His Delta Cats. Até hoje não se sabe se usaram esse nome porque houve receio por parte de Ike em não emplacar o single mas o que conta é que ele participou dessa lendária gravação.

Foi tocando por clubes noturnos de St. Louis em meados da década de 50 que Ike conheceu a espevitada Anna Mae (então chamada Little Annie), uma cantora de apenas 18 anos, convidando-a para alguns números ocasionais nos Kings of Rhythm. Claro que antes ele ficou com o pé atrás com a garota não botando fé no seu cacife. Nascia ali, meio sem querer, uma das maiores parcerias conjugais da história da música. Com o tempo, Ike colocou mais três garotas na banda, às quais chamou Ikettes [uma refrência às Raellettes de Ray Charles], contando com Little Annie como vocalista principal.

Em 1960, Ike havia escrito uma canção chamada Fool In Love que pretendia dar a algum cantor dos Kings of Rhythm já que Little Annie estava grávida do prmeiro filho do casal. A cantora bateu pé firme e quis interpretar a tal música, peitando o marido, que foi obrigado a cedere ficoi impressionado coma interpertação selvagem da mulher. Resultado: Fool In Love chegou ao segundo lugar nas paradas de Rhythm & Blues, o que deu fama á banda. Por sugestão de Ike, Little Annie mudou seu nome para Tina, uma alusão à personagem de quadrinhos Sheenna, a rainha das Selvas. O nome dos Kings of Rhythm foi alterado para Ike & Tina Turner Revue. Já começavam as homéricas brigas de casal que ocasionou hematomas e fraturas a Tina, que era constantemente espancada por Ike.

Os anos 60 foram o ápice do casal Turner e eles participaram de inúmeras gravações e programas de TV americanos. Tina e as Ikettes levavam uma figurino sensual e uma performance prá lá de picante para a época. Gravaram grandes hits como It's Gonna Work Out Fine, River Deep Mountain High, onde começou a parceria com o produtor Phil Spector, I Want to Take You Higher (de Sly & Family Stone) e uma canção escrita por Tina Nutbush City Limits, para ficarmos só em algumas. Os quebra-paus continuaram acontecendo, não só porque Ike era violento mas porque Tina ficava flertando com músicos da banda e convidados. Reza a lenda que em 1968, ela e o líder dos Rolling Stones, Mick Jagger foram às "vias de fato" durante um concerto que contava com a banda britãnica e a trupe do casal Turner.

Em 1970, veio o grande sucesso da dupla: sua versão de Proud Mary (Creedence Clearwater Revival) que obteve inúmeros prêmios, inclusive um Grammy.

Em 1976, as brigas chegaram ao seu ápice quando Ike bateu em Tina e ela quebrou a clavícula. Ela decidiu deixar Ike de uma vez por todas. Quando a tumultuada vida íntima do casal veio à tona, Ike foi relegado ao limbo. Após o divórcio em 1978, ele ficou com o estigma de marido violento e seus problemas com drogas só pioraram a situação e ele foi preso algumas vezes.

 Nos anos 70, Tina Tina se tornou uma bem sucedida cantora e estrela do Rock e teve momentos memoráveis, como por exemplo, sua atuação na Ópera Rock Tommy da banda The Who, vivendo a fatal Acid Queen. Ela entrou os anos 80 na crista da onda gravando inúmeros sucessos como Private Dancer (de Mark Knopfler do Dire Straits), Typical Male, Help! (dos Beatles), The Best, Better Be Good to Me, entre muitas outras. Ela também se aventurou no cinema, especialmente no filme Mad Max Além da Cúpula do Trovão, onde também cantou o tema principal We don't Need Another Hero.

Ike tentou, durante os anos 70 a 90, retomar a carreira com outras cantoras que tentaram evocar Tina mas a lembrança de seu passado ficaram na mente das pessoas, especialmente depois que o drama do casal ganhou as telas do cinema no filme Tina (What's Love Got to Do with It), estrelado por Angela Basset no papel de Tina e Laurence Fishburne no papel de Ike. Ele faleceu em 2007 após uma overdose de cocaína.

Ike & Tina Turner foram introduzidos no Rock and Roll Hall of Fame em 1991.

Fonte:
Wikipedia (em inglês)
http://www.history-of-rock.com/ike_and_tina_turner

Ike & Tina Turner
Ike & Tina: um dos mais explosivos duos do Rock and Roll
Crédito da foto: http://www.lastfm.com/